O ator Nicolas Cage afirmou neste sábado (10) que provavelmente não vai trabalhar novamente com a Amazon depois de recusar assinar autorização para o uso de inteligência artificial na série "Spider-Noir", cancelada pela própria Amazon em setembro após uma única temporada.

Segundo o ator, o estúdio pediu que ele assinasse um termo de isenção para o uso da tecnologia, e ele não assinou. A declaração foi dada em um painel da Empire no palco da New York Comic Con.

A Amazon é uma empresa muito amigável à IA. Eu não sou um ator amigável à IA, então é como se vocês tivessem que juntar as peças. Eu não assinei a autorização para que eles usassem IA em Spider Noir. Provavelmente não vou trabalhar com esse estúdio novamente, mas tudo bem.

Cage também falou sobre o desejo de trabalhar com diretores mais jovens.

"Preciso me conectar com esses jovens diretores que estão trilhando seu próprio caminho, seja através da cultura do YouTube ou de qualquer outra forma", afirmou. "Eles estão fazendo tudo do zero e manualmente. Quero me envolver com isso."

Nicolas Cage em evento de Comic-Con, diante de microfones
Nicolas Cage em evento de Comic-Con — foto de arquivo. Foto: Romain Brami/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Por que a Amazon cancelou Spider-Noir

A Prime Video e a Sony cancelaram a série em setembro, depois de apenas uma temporada, apesar de boa repercussão: 92% de aprovação da crítica e 90% do público no Rotten Tomatoes, além de 11 indicações ao Emmy deste ano.

A Amazon tinha fechado acordo para duas temporadas, mas decidiu não continuar após baixa retenção de público nos Estados Unidos. A série estreou em 2º lugar entre as mais assistidas na Nielsen, mas não se manteve no topo como outras produções do Prime Video.

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Spider-Noir somou 2,6 bilhões de minutos assistidos nas seis primeiras semanas de exibição.

A linha que separa atores e estúdios na era da IA

O caso de Cage mostra que a resistência à inteligência artificial deixou de ser discurso e virou cláusula de contrato. A recusa individual dele também funciona como teste do que vale, na prática, o acordo fechado entre atores e estúdios sobre o tema.

Desde maio, o sindicato SAG-AFTRA fechou com os estúdios um contrato de quatro anos com regras para o uso de voz e imagem de atores por inteligência artificial, ponto que esteve no centro do impasse entre as partes.

A Amazon soma US$ 50 bilhões investidos na OpenAI, valor que Cage citou no painel, e já havia lançado um fundo para produzir séries infantis com IA, parte da estratégia que o ator chama de "muito amigável" à tecnologia.

O debate não é só dos estúdios americanos. Em outubro, a Disney já tinha uma atração que usa IA para transformar visitantes em fantasmas e dividiu opiniões entre o público do parque.