O TRE-RJ confirmou neste sábado (10) a vitória de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio, com 50,88% dos votos válidos. Presidente da Alerj e filho do prefeito de São Gonçalo, Ruas, 37 anos, foi beneficiado pela anulação dos votos de Garotinho pelo TSE.

Antes da decisão, a eleição ia a 2º turno: Ruas tinha 49,27% dos votos válidos (4.268.884) e o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) tinha 42,76% (3.704.372).

O TSE anulou, em 8 de outubro, mais de 270 mil votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos). O registro de candidatura dele foi indeferido por falta de condições de elegibilidade.

Garotinho teve os direitos políticos suspensos após condenação por ato doloso de improbidade administrativa. Cinco ministros do TSE votaram pela exclusão dos votos.

Publicidade

Douglas Ruas sorri durante entrevista, vestindo terno azul
Douglas Ruas em entrevista — foto de arquivo. Foto: TV ALERJ/Wikimedia Commons via Openverse (CC BY 3.0)

Quem é o novo governador

Ruas é policial civil concursado, advogado e pós-graduado em gestão pública, deputado estadual desde 2021. Assumiu a presidência da Alerj em março, quando o antecessor, Rodrigo Bacellar, foi cassado e condenado, ao lado do ex-governador Cláudio Castro, por abuso de poder nas eleições de 2022.

É o governador mais jovem eleito no estado desde 1959.

Duas semanas antes da eleição, 59% dos eleitores ainda não conheciam Ruas, segundo pesquisa Quaest de 25 de agosto. Ele é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), e o irmão, Nelsinho Ruas, também foi eleito deputado estadual pelo PL.

O que Ruas promete para o Rio

O programa de Ruas, batizado de "Escudo Fluminense", tem a segurança pública como eixo central: retomada de território de facções e milícias, reconhecimento facial e drones. Uma das metas é elevar o efetivo da PM de 44 mil para 60 mil policiais.

Em entrevista ao RJ2 no sábado, Ruas disse: "Logo no início do nosso mandato, vou chamar todos os aprovados nos concursos da segurança pública, de todas as forças, para reforçar o efetivo."

O adversário derrotado, Eduardo Paes reconheceu o resultado e disse respeitar a decisão da Justiça, mas criticou o desfecho sem 2º turno.

Na última semana, a maioria dos eleitores fluminenses votou para que a eleição ao governo do Rio de Janeiro fosse decidida em segundo turno. Infelizmente, a Justiça decidiu que não haveria segundo turno, contrariando a vontade soberana dos eleitores. E respeitamos as decisões judiciais. É assim que funciona a democracia.

O que esse desfecho muda para o eleitor

O caso de Ruas mostra como uma decisão sobre elegibilidade pode definir uma eleição estadual sem a necessidade de segundo turno.

Publicidade

A maioria dos eleitores fluminenses havia votado no dia 4 de outubro esperando um novo pleito em 25 de outubro, como reconheceu o próprio Paes, cenário que a anulação dos votos de Garotinho afastou.

Não é a primeira vez que a Justiça Eleitoral do Rio decide o rumo do Executivo depois das urnas: o ex-governador Cláudio Castro e o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foram cassados neste ano pelas eleições de 2022.

Ruas já se reuniu com Flávio Bolsonaro para discutir o 2º turno nacional, hoje restrito à disputa presidencial.