O Departamento de Defesa dos Estados Unidos vai executar publicamente, por fuzilamento, o ex-militar Nidal Hasan, que matou 13 soldados em Fort Hood em 2009. Marcada para dezembro e com transmissão ao vivo, será a primeira execução pública no país em cerca de 90 anos.

Hasan foi condenado por corte marcial em 2013 pelo ataque de 2009. A última execução pública dos EUA aconteceu em 14 de agosto de 1936, em Owensboro, no Kentucky, quando Rainey Bethea foi enforcado diante de 20 mil pessoas.

Nunca imaginei outra execução pública.

A frase é de Michael Radelet, professor emérito da Universidade do Colorado e estudioso de longa data da pena de morte nos Estados Unidos.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, defendeu a decisão. "As pessoas precisam entender que esse tipo de coisa tem consequências sérias", disse.

Por que o apoio à pena de morte caiu nos EUA

O apoio dos americanos à pena de morte vem caindo há três décadas. Em 1994, 80% da população era favorável, o maior índice desde que o instituto Gallup começou a medir o tema, em 1936.

Em outubro de 2025, esse apoio já havia caído para 52%, contra 44% de contrários, segundo o Gallup. A queda é maior entre jovens: apenas 41% dos americanos de 18 a 34 anos apoiam a pena de morte, contra 62% dos maiores de 55.

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Parte dos especialistas ouvidos pela BBC questiona se a execução reflete a opinião da maioria. Kurt Gray, professor de psicologia social da Ohio State University, pondera que, embora parte dos americanos esteja "sedenta de sangue", a maioria não está nesse grupo.

Garen Wintemute, diretor do Programa de Pesquisa de Prevenção da Violência da UC Berkeley, foi mais direto: "Eu acho que uma execução pública não representa quem somos."

Dentro do próprio governo americano há desconforto com o formato. O vice-presidente JD Vance disse que não assistiria à transmissão ao vivo. Já o presidente Donald Trump minimizou a forma da execução: "Eu realmente não me importo com a forma como ele for executado."

O que acontece agora

A execução de Hasan está marcada para dezembro de 2026, por fuzilamento, com transmissão ao vivo conforme determinado pelo Pentágono.

O caso se soma a outros episódios recentes que reacenderam o debate sobre os métodos de execução nos Estados Unidos, como a sobrevivente de duas injeções letais Christa Pike, que pode ser executada de novo no país.

Falhas em outros métodos também vêm sendo documentadas: levantamentos independentes mostram que a injeção letal falha em mais de 7% das execuções nos EUA.

O ponto em aberto

O Pentágono justifica a execução pública como forma de mostrar consequência. Mas os próprios números do Gallup mostram que o apoio à pena de morte está no nível mais baixo em décadas, especialmente entre os mais jovens.

A pergunta que fica é se a volta de um formato abandonado há 90 anos vai convencer uma opinião pública cada vez mais dividida, ou apenas ampliar o desconforto que já aparece dentro do próprio governo americano.