A abstenção no 1º turno de 2026 foi a maior desde 1998, com 33.444.876 eleitores faltantes, segundo o Poder360. Quatro das cinco regiões tiveram abstenção acima da média nacional de 21,1%, e nelas Flávio Bolsonaro (PL) superou Lula (PT) no domingo (4).
O padrão se repete em quase todo o país: as regiões que mais deixaram de votar são as mesmas em que Flávio teve vantagem sobre Lula. O Sudeste, sozinho, concentra quase metade dos eleitores ausentes do Brasil.
A exceção é o Nordeste, principal reduto eleitoral do PT, que teve a menor abstenção do país, de 18,4%.
Juntas, as quatro regiões em que o PL venceu somaram 24,8 milhões de eleitores fora das urnas no 1º turno, mais do que a diferença de votos entre os dois candidatos em todo o país.
A abstenção vem subindo eleição após eleição desde 2006.
Publicidade
A tarefa da campanha petista para o 2º turno, marcado para 25 de outubro, é reverter esse quadro sem que o aumento do comparecimento acabe beneficiando o adversário, repetindo o padrão regional do 1º turno.
Como a campanha de Lula reage à abstenção
A campanha de Lula muda a comunicação para tentar reverter o quadro. Desde terça-feira (6), as redes passaram a associar Flávio ao fim de programas sociais, e o petista cobrou o adversário sobre a escala 6x1, segundo o jornal Valor.
O petista já tinha cobrado Flávio sobre a alternativa à escala de trabalho 6x1 apresentada pelo adversário.
A campanha também lida com a disparidade nas redes sociais. A candidatura de Flávio investiu o triplo de Lula em anúncios até o início do 2º turno, e o PT optou por reforçar material impresso e adesivos.
O que dizem os analistas
Especialistas discordam sobre quem a abstenção favorece. Para o cientista político Murilo Oliveira, o eleitorado mais próximo do PT se concentra em grupos com maior taxa de ausência, como idosos e pessoas de menor escolaridade, o que tenderia a prejudicar Lula.
Publicidade
Já o constitucionalista Alessandro Chiarottino discorda:
Não tenho dúvida em dizer que as abstenções favoreceriam Lula.
Os dois concordam em um ponto: a ausência às urnas tende a ser maior entre homens, eleitores de menor renda e pessoas com 60 anos ou mais, segundo a Gazeta do Povo.
O que acontece agora
O 2º turno entre Lula e Flávio acontece em 25 de outubro. Até lá, as novas pesquisas vão mostrar se a mobilização de eleitores das regiões mais ausentes se traduz em votos para Lula ou mantém o padrão que beneficiou Flávio no primeiro turno.





























