A médica Marcella Segato de Sousa Melo, chefe da ginecologia e obstetrícia da Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), foi afastada das funções depois de orientar colegas a não dar alta a pacientes majoritariamente eleitores do PT, no fim de semana da eleição.

Em mensagem de WhatsApp enviada a colegas na sexta-feira (2), dois dias antes do 1º turno, a médica escreveu:

Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista.

Doze colegas reagiram à mensagem com emojis de risada, positivo e da bandeira do Brasil, segundo prints mostrados pela TV Anhanguera. Um deles respondeu "combinado". Não há confirmação de que alguém tenha de fato deixado de liberar algum paciente.

A Prefeitura de Goiânia abriu apuração interna e afastou Marcella da escala de trabalho. O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) também investiga a conduta, e o caso foi denunciado ao Ministério Público.

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Assédio eleitoral, pressionar alguém em razão do voto, é conduta que pode gerar multa milionária e até prisão, segundo o Ministério Público do Trabalho.

Casos parecidos já foram registrados nesta eleição. Em Alagoas, o deputado Rico Melquíades foi processado pelo MPT por assédio eleitoral.

Em Roraima, a Polícia Federal apura denúncia semelhante dentro da Defensoria Pública.

A Lei das Eleições (9.504/1997) veda que agente público use a função para beneficiar ou prejudicar candidato, partido ou coligação, e proíbe constranger eleitor em razão do voto, sob pena de multa e outras sanções previstas no Código Eleitoral.

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O que dizem a médica e o hospital

A médica disse ao g1 que se manifestaria sobre o caso "assim que possível", sem dar detalhes até a conclusão da reportagem-fonte. A Maternidade Jaime Câmara, que administra a unidade, confirmou que a mensagem partiu de um grupo privado.

Em nota, a instituição disse que as mensagens "constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes, não representando, em nenhuma hipótese, posicionamento da Administração do Hospital". Já o Cremego afirmou que denúncias sobre conduta ética tramitam em sigilo.

O que acontece agora

O caso segue em apuração na Prefeitura, no Cremego e no Ministério Público, sem prazo definido para conclusão. Nenhum dos três órgãos havia divulgado decisão até a publicação desta reportagem.