Drones ucranianos atingiram neste domingo (20) uma refinaria de petróleo perto de Moscou e mataram duas pessoas, no último dia da eleição legislativa russa. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, disse que uma instalação da refinaria foi seriamente danificada pelo ataque.

Um drone atingiu ainda um prédio residencial perto de uma avenida de alta circulação em Moscou. O governador da região, Andrei Vorobyov, afirmou que 249 drones foram abatidos só na área metropolitana.

Em nota, a prefeitura informou que a Rússia abateu mais de 1.600 drones desde sábado (18), dos quais 450 tinham a capital como alvo.

Testemunhas da agência Reuters relataram ter ouvido explosões e visto colunas de fumaça subindo da refinaria. As duas mortes ocorreram na região metropolitana de Moscou, fora da capital.

Segundo Vorobyov, 400 pessoas, entre elas 70 crianças, foram evacuadas de um prédio de 21 andares no distrito de Ramenskoye. Os aeroportos de Sheremetyevo e Vnukovo tiveram restrições de pouso e decolagem, e serviços de emergência foram enviados à região.

Por que o ataque mirou justo o dia da eleição?

O ataque aconteceu no terceiro e último dia da votação para a Duma Estatal, a câmara baixa do parlamento russo, que renova as 450 cadeiras da 9ª legislatura.

É a primeira eleição legislativa do país desde o início da guerra, em fevereiro de 2022.

Sobyanin atribuiu o momento do ataque a uma tentativa deliberada de atrapalhar a votação. "O ataque sem precedentes foi claramente planejado com o objetivo de atrapalhar as eleições. O adversário não conseguiu", disse o prefeito, segundo a Reuters.

O chanceler russo Sergei Lavrov já havia dito, na sexta-feira (18), que a participação eleitoral seria a resposta do país "àqueles que querem enfraquecer a Rússia".

O ataque de domingo também quebra o acordo de trégua energética anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na segunda-feira (14) da semana passada.

Trump havia declarado que Rússia e Ucrânia concordaram em parar de atingir a infraestrutura de energia uma da outra. Nenhum dos dois lados interrompeu os ataques desde então.

O que muda no preço do combustível

O bombardeio a refinarias já reduz a capacidade de refino russa ao menor nível em duas décadas. Segundo levantamento da agência Reuters, drones ucranianos atingiram refinarias do país pelo menos 70 vezes desde o início de 2026.

Metade das seis maiores refinarias de diesel da Rússia teve de reduzir ou parar a produção só em setembro. A escassez já forçou o governo russo a restringir a exportação de gasolina, diesel e querosene de aviação.

Em junho, o vice-primeiro-ministro Alexander Novak chegou a cogitar um banimento total das exportações de diesel do país.

O efeito chegou ao mercado global: o preço médio do diesel nos Estados Unidos passou de US$ 6 o galão em 15 de setembro pela primeira vez, combustível usado para mover caminhão, trem, navio e maquinário agrícola.

O mercado de petróleo segue sensível a qualquer choque de oferta, como mostrou também o incêndio recente perto do aeroporto de Riad e o ataque à Aramco na Arábia Saudita.

No Brasil, o governo já gastou quase R$ 10 bilhões para segurar o preço do diesel internamente diante desse cenário de instabilidade global.

O que acontece agora

A apuração da eleição para a Duma deve ser concluída nas próximas horas, com resultado amplamente favorável aos partidos alinhados ao Kremlin. Rússia e Ucrânia não deram sinal de suspender os ataques à infraestrutura de energia apesar do acordo mediado pelos Estados Unidos.

A tendência é de novos episódios enquanto o cerco às refinarias russas continuar.