Warren Buffett, 96 anos, deixou o cargo de presidente do conselho da Berkshire Hathaway na sexta-feira (18), após seis décadas à frente da empresa. Em carta aos acionistas, ele passou o posto ao filho Howard G. Buffett, de 71 anos, diretor da companhia desde 1993.

Buffett se torna presidente emérito e segue como membro do conselho e acionista. Greg Abel, que assumiu como CEO da Berkshire no início de 2026, continua no comando das operações da empresa.

Por que a Berkshire lucra com a IA sem apostar nela?

Buffett sempre evitou investir diretamente em tecnologia, preferindo empresas que entende, como seguradoras, ferrovias e serviços públicos. Mesmo assim, a Berkshire colhe hoje ganhos relevantes ligados à inteligência artificial, por uma via indireta.

Em 2000, a empresa comprou a MidAmerican Energy, companhia de serviços públicos de Iowa e do Centro-Oeste dos Estados Unidos. Na época, o negócio nada tinha a ver com IA.

Duas décadas depois, a demanda insaciável de energia dos data centers de IA transformou aquele investimento conservador em uma das apostas mais lucrativas da empresa, já que a construção acelerada desses centros aumentou o consumo de eletricidade nos Estados Unidos.

A Berkshire também tem participações diretas em Apple, desde 2016, e Alphabet, comprada mais recentemente, num movimento mais próximo de uma aposta direta em IA.

Qual o tamanho da demanda por energia da IA?

A demanda mundial de energia em data centers deve crescer 27% em 2026, para 132 gigawatts, segundo o Gartner. Nos Estados Unidos, o setor consumiu cerca de 176 TWh em 2023, equivalente a 4,4% de toda a eletricidade do país.

A projeção é de que esse consumo chegue a até 580 TWh em 2028, o que representaria 12% da eletricidade americana. Até 2035, os data centers devem responder por cerca de 20% do consumo elétrico dos EUA.

O apetite por energia já move outros setores ligados à infraestrutura de IA: a ODATA anunciou investimento de US$ 630 milhões em refrigeração de data centers, e o preço do cobre já se aproxima do níquel por causa da demanda desses centros.

O que acontece agora

Howard Buffett assume a presidência do conselho num momento em que a Berkshire colhe os efeitos do boom de infraestrutura de IA sem ter apostado diretamente na tecnologia.

O contraste aparece com empresas como a OpenAI, que projeta gastar US$ 280 bilhões a mais do que fatura até 2030. A gestão de Greg Abel como CEO segue focada nas operações do dia a dia da empresa.