A primavera começa na terça-feira (22) e pode agravar doenças respiratórias como asma, rinite e conjuntivite alérgica, segundo especialistas ouvidos pela CNN Brasil. O aumento do pólen no ar e as mudanças de temperatura irritam as vias respiratórias nesta época do ano.

A baixa umidade e a presença de poeira e poluentes reforçam o problema. Segundo a alergista Fátima Rodrigues Fernandes, o pólen age como um alérgeno e pode provocar uma resposta inflamatória em pessoas sensíveis.

O ar seco típico da estação resseca as mucosas, que funcionam como barreira de proteção das vias respiratórias, o que deixa o organismo mais vulnerável.

Quais sintomas exigem atenção?

Em quem tem asma, falta de ar progressiva e chiado no peito são sinais de alerta. A rinite costuma causar espirros frequentes, coriza, coceira e obstrução nasal, enquanto a conjuntivite alérgica provoca coceira, vermelhidão e lacrimejamento nos olhos.

O sistema imunológico enfraquecido pelas alergias também aumenta o risco de contrair influenza. A gripe costuma vir com febre, dor de garganta, tosse, dor no corpo e dor de cabeça, e pode evoluir para pneumonia, sinusite, otite e desidratação, principalmente em cardiopatas e gestantes.

Por que o Sul do país sofre mais?

Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a região Sul concentra o maior número de casos de alergia ao pólen no Brasil, puxado pela grama azevém (Lolium), principal causadora do problema no país.

A entidade estima que 22% das crianças e 25% dos adultos da região Sul têm sensibilização ou alergia clínica ao pólen de gramíneas. Em todo o Brasil, a rinite alérgica atinge cerca de 30% da população, e a asma alérgica, cerca de 20%.

O aquecimento global também contribui: segundo a ASBAI, ele antecipa a floração das plantas e alonga a estação do pólen, prolongando a exposição aos sintomas.

O que fazer para reduzir os sintomas?

Quem já trata doenças respiratórias deve manter o uso dos medicamentos conforme a orientação médica, mesmo com a chegada do tempo mais ameno. Manter os ambientes limpos e ventilados, e reduzir a presença de poeira e ácaros, também ajuda a evitar crises.

Fungos causados por umidade acumulada, como o mofo, intensificam ainda mais as doenças respiratórias. A higiene da cama é parte do cuidado: um pneumologista já alertou sobre a importância de trocar os lençóis semanalmente para reduzir ácaros.

O clima seco também tem marcado o início da estação em várias regiões do país.