Duas pesquisas divulgadas em setembro chegam a resultados opostos para a disputa presidencial de 2026. A Quaest aponta Lula na frente; o Gerp mostra Flávio Bolsonaro à frente. A diferença está no instituto que fez a pesquisa e na data em que foi a campo.

A Quaest, divulgada em 2 de setembro, ouviu 2.004 pessoas entre 30 de agosto e 1º de setembro. No cenário estimulado, Lula (PT) tem 37% e Flávio Bolsonaro (PL), 30%.

A pesquisa foi contratada pela Globo, tem margem de erro de 2 pontos, nível de confiança de 95% e está registrada no TSE sob o número BR-07065/2026.

O Gerp, divulgado em 17 de setembro, ouviu 2.400 pessoas entre 14 e 16 de setembro. No cenário estimulado com votos válidos, Flávio Bolsonaro tem 44% e Lula, 40%.

A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto, tem margem de erro de 2 pontos, nível de confiança de 95% e está registrada no TSE sob o número BR-00535/2026.

No cenário de 2º turno, o Gerp mostra Flávio Bolsonaro com 50% contra 43% de Lula.

Por que os números são tão diferentes?

A diferença começa na data. A Quaest foi a campo entre 30 de agosto e 1º de setembro; o Gerp, entre 14 e 16 de setembro, duas semanas depois, já dentro do período oficial de campanha na TV e no rádio.

O tamanho do grupo de indecisos também varia muito entre os dois institutos. No cenário espontâneo, a Quaest registrou 42% de indecisos, contra 18% no espontâneo do Gerp. Um grupo indeciso maior tende a reduzir a vantagem de quem já lidera.

Uma rodada anterior do próprio Gerp, divulgada em 9 de setembro, já mostrava Flávio Bolsonaro à frente por 37% a 34%. A vantagem dele dentro da série do instituto cresceu de 3 para 4 pontos em oito dias.

O Gerp diz usar amostragem probabilística e dupla validação, segundo o próprio instituto. Tanto ele quanto a Quaest têm registro de metodologia aberto no TSE, como exige a legislação eleitoral para qualquer pesquisa divulgada.

A disputa presidencial se soma a outras corridas que também mobilizam estratégia de campanha pelo Brasil, caso do interior de São Paulo, onde o PT tenta neutralizar Tarcísio de Freitas.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem usado a pauta do agro para criticar o governo Lula em agenda de campanha. Já o eleitor de qualquer candidato tem até 3 de outubro para validar o e-Título antes do primeiro turno.

O ponto em aberto

Com duas pesquisas do mesmo mês apontando líderes diferentes, nenhuma delas isolada resolve a pergunta de quem está à frente. A distância entre os dois resultados é maior que a margem de erro de qualquer uma das duas.

O que os números têm em comum é o tamanho do público que ainda não decidiu o voto ou pode mudar de ideia até outubro, faixa que varia de 10% a 42% dependendo de como cada instituto pergunta.