Vinte e quatro dos 55 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo eleitos em 2024 disputam outro cargo nas eleições de 2026. O número equivale a 43,5% do legislativo paulistano e inclui candidaturas a deputado estadual, deputado federal e até suplência no Senado.

Entre os candidatos a deputado federal estão alguns dos mais votados da última eleição municipal, como Lucas Pavanato (PL), Ana Carolina Oliveira (Podemos) e Sargento Nantes (PP).

A vereadora Rute Costa (PL) concorre como segunda suplente do senador André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Por que tantos vereadores trocam de cargo?

O movimento é bem maior que no ciclo anterior. Em 2022, apenas seis parlamentares da Câmara Municipal conseguiram migrar de cargo.

Eduardo Suplicy (PT) e Antônio Donato (PT) se elegeram deputados estaduais, enquanto Erika Hilton (PSol), Delegado Palumbo (MDB), Felipe Becari (União) e Juliana Cardoso (PT) chegaram à Câmara Federal.

A diferença salarial ajuda a explicar o interesse, mas é menor do que costuma se supor. O vereador de São Paulo ganha R$ 26.080,98 por mês desde fevereiro de 2025, quando a própria Câmara aprovou reajuste de 37%.

O teto de deputado estadual no país é de R$ 34.774,64, cerca de 33% a mais. O salto de cargo pesa mais pelo alcance do mandato do que pelo contracheque: como vereador, o parlamentar legisla só sobre o município.

Como deputado estadual ou federal, passa a votar leis que valem para todo o estado ou o país, e fiscaliza diretamente o governador.

O que muda na Câmara Municipal enquanto isso?

Reportagem do Diário do Estado de São Paulo aponta que parlamentares em campanha tendem a reduzir a participação em comissões e sessões, o que pode alterar a dinâmica de votações e a composição de blocos na Câmara Municipal até outubro.

A eleição para deputado estadual, deputado federal e senador ocorre em 4 de outubro. Serão eleitos 1.035 deputados estaduais e 24 distritais em todo o país, além da renovação da composição do Congresso e das Assembleias Legislativas.

Em São Paulo, a disputa pelo Senado já tem Derrite e Do Prado na liderança das pesquisas mais recentes, cenário que também envolve a suplência de Rute Costa na chapa de Do Prado.

O estado também concentra a disputa pelo governo, em que o PT aposta no interior paulista para tentar barrar Tarcísio de Freitas.

O que acontece agora

Os vereadores que perderem a eleição de outubro podem retornar aos mandatos municipais, já que não precisam renunciar ao cargo atual para concorrer. Quem for eleito toma posse em 2027 e abre vaga para o suplente assumir a cadeira na Câmara paulistana.