O preço médio do diesel S-10 nos postos do Brasil subiu 2,3% nesta semana, para R$ 7,13 por litro, o maior valor desde o fim de maio, segundo a ANP. A alta acompanha a disparada do petróleo no mercado internacional neste mês.
Por que o diesel está subindo
O petróleo Brent, referência internacional, fechou nesta sexta a US$ 104,87 o barril, ante cerca de US$ 93 no início do mês. Os EUA e o Irã retomaram ataques mútuos, e os houthis, aliados do Irã, intensificaram a atividade militar.
Desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia também pesaram no mercado. Os Estados Unidos sancionaram a Rússia nesta sexta, mirando justamente o setor de energia do país.
A escalada ampliou a defasagem entre os preços internacionais e os praticados pela Petrobras no Brasil. Importadores adiaram compras, o que acende alerta para restrições localizadas de oferta.
O aumento chega dias depois de Trump propor uma trégua energética entre Rússia e Ucrânia, que o Brasil acompanhava de perto.
Parte do problema já vinha de antes. A suspensão do diesel russo e o conflito no Irã já pressionavam os preços dos combustíveis no Brasil desde julho.
Quem está pagando a conta
O governo publicou uma MP que autoriza R$ 6,6 bilhões em subsídios à produção e importação de combustíveis. A maior parte, R$ 5,6 bilhões, vai para o diesel; outro R$ 1 bilhão cobre gasolina e outros derivados.
A Petrobras aumentou em R$ 1 por litro o preço do diesel para as distribuidoras, mas o valor cobrado não deve mudar na prática. Um novo subsídio, assinado por Lula, cobre exatamente essa diferença por 30 dias.
Somado ao subsídio de R$ 1,12 já em vigor, o diesel passa a ter R$ 2,12 por litro bancados pelo governo, mesmo batendo o maior preço em seis meses na bomba.
Segundo o governo, a medida funciona como um "cashback" para compensar a retomada da cobrança de tributos federais sobre o diesel. O dinheiro sai de crédito extraordinário, fora do arcabouço fiscal.
Qualquer avaliação sobre a evolução dos preços deve considerar todo o percurso do combustível: produção, importação, refino, distribuição, logística, tributação e mistura obrigatória de biocombustíveis, até sua chegada ao posto.
A nota é da Fecombustíveis, que representa cerca de 40 mil postos no país. A entidade diz acompanhar a instabilidade internacional "com preocupação" e alerta que o aumento ao consumidor não se explica só pelo preço exibido na bomba.
O que acontece agora
O subsídio de R$ 1,12 por litro vale até 26 de setembro. O novo, de R$ 1, tem validade de 30 dias a partir da assinatura. Passado esse prazo, o preço na bomba depende de o mercado internacional recuar ou o governo prorrogar os benefícios.





























