O deputado federal Patrus Ananias (PT), candidato ao governo de Minas Gerais, defendeu neste sábado (19) que o estado pague aos professores da rede estadual o piso salarial nacional integral, hoje fixado em R$ 5.130,63 para jornada de 40 horas semanais.
Os professores mineiros trabalham 24 horas por semana e recebem o piso proporcional a essa carga, hoje em R$ 3.078,50. Patrus defende que o valor cheio seja pago mesmo com a jornada menor.
Eu penso que aquilo que é devido a 40 horas semanais deve ser devido rigorosamente a 24 horas semanais, porque considero, como professor que fui, que o magistério exige um processo de descanso físico e mental e também um tempo de estudo, para preparar boas aulas e ter diálogo com as alunas e os alunos.
A declaração foi dada em discurso no Conselho Geral do Sind-UTE/MG, no Hotel Dayrell, no Centro de Belo Horizonte.
No evento, Patrus assinou a carta-compromisso do sindicato, que propõe, além do piso, a valorização da carreira conforme a formação acadêmica e uma mesa permanente de negociação com a categoria.
O que o governo atual já fez pelos professores?
O governo estadual, hoje comandado por Mateus Simões, sancionou reajuste de 5,26% para a educação básica em 2026, retroativo a janeiro. O resultado foi justamente o valor proporcional que os professores consideram insuficiente.
A discordância de Patrus não é sobre a falta de reajuste, mas sobre a fórmula: proporcional às 24 horas, como o estado paga hoje, ou integral, como ele defende.
Também assinaram a carta-compromisso os candidatos Rafael Duda (PSTU), Indira Xavier (UP), Túlio Lopes (PCB) e Henrique Áreas (PCO). Todos os concorrentes ao governo de MG foram convidados ao evento.
Patrus evitou prometer solução imediata: “Não vou prometer para vocês que, ganhando o governo, no dia seguinte nós já resolvemos”. Disse que pretende “manter esse clima de diálogo” para melhorar as condições do magistério aos poucos.
Depois do evento, em entrevista ao Estado de Minas, ele foi questionado sobre a crise fiscal do estado, que precisa pagar em dia cerca de R$ 180 bilhões em dívida com a União, renegociada no Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
Patrus respondeu que vai “aplicar o dinheiro público com maior rigor, honestidade e transparência” e citou créditos que o estado teria a receber: “Sabemos que o estado tem alguns créditos que nós vamos buscar. Mais de R$ 20 bilhões”.
O que acontece agora
A eleição em Minas Gerais é em 4 de outubro. Na pesquisa Datafolha, encomendada por Folha e Globo, com 1.204 entrevistados, margem de erro de 3 pontos e registro MG-01611/2026 no TSE, Patrus aparece com 13% das intenções de voto.
Ele fica atrás de Cleitinho Azevedo, com 37%, e à frente do governador Mateus Simões, que prometeu passe livre e mais delegacias na mesma série de sabatinas.
Os seis candidatos também detalharam, em debate na TV Alterosa, propostas para fiscalização de barragens e da mineração no estado, e disputam também espaço na mais recente pesquisa Quaest sobre a corrida ao governo e ao Senado.







































































