A Alphabet, controladora do Google, viu as ações caírem cerca de 7% no pregão estendido desta quarta-feira (28) depois de reportar receita de US$ 127,58 bilhões no terceiro trimestre, abaixo da expectativa de analistas, e um fluxo de caixa negativo em US$ 9,07 bilhões.

A receita cresceu 25% em relação a um ano antes, mas ficou abaixo da projeção de US$ 128,22 bilhões. Foi a primeira vez em 22 anos como empresa aberta que a Alphabet reportou fluxo de caixa livre negativo.

O lucro líquido somou US$ 26,17 bilhões, queda de 25,2% ante o mesmo período do ano passado. O lucro por ação caiu de US$ 2,87 para US$ 2,12, também abaixo da expectativa de analistas, que era de US$ 3,03.

Parte da queda no lucro veio de uma reviravolta contábil: no 2º trimestre, a Alphabet teve ganho de US$ 99,03 bilhões com participações em empresas como SpaceX e Anthropic.

No 3º trimestre, a mesma categoria virou perda de US$ 8,66 bilhões. Essa única reviravolta contábil já explica boa parte da queda no lucro por ação do trimestre.

Onde a empresa gastou e onde ganhou mais

O prejuízo operacional de US$ 7,66 bilhões veio principalmente de despesas com pesquisa e desenvolvimento em IA. A receita de publicidade do Google, principal negócio da empresa, somou US$ 82,01 bilhões, US$ 1,41 bilhão abaixo do esperado.

Já o Google Cloud foi na direção contrária: a receita mais que dobrou, para US$ 30,71 bilhões, bem acima da projeção de US$ 29,15 bilhões, puxada pela demanda por infraestrutura de IA e pelos chips TPU da empresa.

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Tivemos um trimestre forte e agora estamos em uma taxa de receita anualizada de meio trilhão de dólares

A frase é do presidente-executivo da Alphabet, Sundar Pichai, em carta aos acionistas. O aplicativo Gemini, lançado em versão mais recente há duas semanas, atingiu 1 bilhão de usuários, o produto de crescimento mais rápido da história da empresa.

O que acontece agora

A queda da Alphabet acontece no mesmo dia em que a Microsoft divulgou lucro 32% maior, também puxado pela nuvem, colocando as duas gigantes de tecnologia em trajetórias opostas na mesma safra de balanços.

O mercado segue de olho no ritmo de investimento em IA das grandes empresas de tecnologia: a OpenAI, por exemplo, projeta gastar US$ 280 bilhões a mais do que fatura até 2030.