Vídeos de testemunhas e câmeras de segurança mostram o policial militar Samuel Martins Passos agredindo com cotoveladas a faxineira Ângela Maria de Souza, de 61 anos, durante uma abordagem no bairro Santa Inês, em Belo Horizonte, na noite de sábado (24).

As imagens mostram Ângela se agarrando a um poste para evitar ser algemada. A confusão começou quando o filho dela foi parado por policiais ao sair de bicicleta para comprar leite para o próprio filho, de 1 ano e 9 meses.

Avisada por uma vizinha, ela foi correndo até o local, sem calçar os chinelos.

Segundo Ângela, ela pediu aos militares que não agredissem o filho, recém-operado, e um dos agentes a chamou de "safada" e mandou que ficasse calada.

Eu falei: 'Não sou safada, não. Não vou sair daqui, que sou mãe dele'. Quando eu falei isso, ele já começou a me bater

Ângela afirma ter sido atingida no rosto e na cabeça, e que um policial não permitiu que ela recebesse atendimento médico na UPA de Sabará depois da detenção. Ela diz que, desde o episódio, não conseguiu voltar ao trabalho.

O que diz a PM sobre a abordagem

A Polícia Militar afirma que Ângela interveio na ação e desrespeitou os agentes, o que motivou a voz de prisão. Segundo a corporação, ela ofereceu resistência ao se agarrar ao poste, e os policiais usaram "técnicas de contenção" para efetuar a condução até a viatura.

O mesmo policial é investigado por um homicídio ocorrido em 2022 em Sabará, na Grande BH, ao lado de outros dois agentes.

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Segundo o TJMG, o caso segue em trâmite entre o Ministério Público estadual e a Polícia Civil, sem denúncia formalizada até o momento.

Episódios de agressão policial filmados já geraram repercussão outras vezes em BH, como no caso em que um tutor de cachorro baleado por um PM classificou o episódio como "barbárie".

O que acontece agora

A investigação sobre a conduta do policial na abordagem a Ângela ainda não tem prazo de conclusão definido. O caso do homicídio de 2022 também segue sem denúncia formal contra os três agentes envolvidos.

O episódio reacende o debate sobre câmeras corporais em fardas policiais em Minas Gerais, tema que já dividiu candidatos ao governo do estado. Em 2025, a letalidade policial já havia batido recorde no país, o que tem pressionado corregedorias a abrir mais investigações.

O recorde de mortes em ações policiais no país é um dos fatores citados por quem cobra mais fiscalização sobre abordagens.