A Baires Fly, empresa argentina que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e a família para os Estados Unidos, é citada 79 vezes num indiciamento da Justiça argentina por fraude na Andis, agência argentina de assistência a pessoas com deficiência.
O documento foi assinado pelo juiz Ariel Lijo em 16 de outubro. O indiciamento foi protocolado dias antes da fuga de Flávio.
O avião, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, decolou de Puerto Iguazú às 0h21 desta quarta-feira (28) com destino declarado a Guayaquil, no Equador. O destino final, porém, foi Miami. A tripulação tinha três argentinos: dois pilotos e uma comissária.
Flávio viajou com passaporte italiano, ao lado da mulher, Fernanda, e das duas filhas menores do casal. O voo custou cerca de US$ 140 mil, pagos por um corretor dos EUA que contratou o serviço, segundo o Perfil.
Não foi o próprio Flávio quem bancou a viagem. A Baires Fly já havia sido contratada antes por outros nomes públicos, caso do presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino), Claudio Tapia, levado pela empresa à Suíça.
O que diz a defesa da Baires Fly
A defesa nega qualquer ligação entre a empresa e o esquema de fraude investigado na Andis. Luis Grande, à frente da Baires Fly, declarou ao jornal Perfil que a empresa não tem relação nenhuma com a Andis.
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Segundo o indiciamento, o corretor aeronáutico Sergio Mastropietro é acusado de emitir notas fiscais falsas em nome da Baires Fly para lavar recursos obtidos em esquema de superfaturamento na Andis. O esquema envolve um circuito de faturamento cruzado com outro investigado, Miguel Ángel Calvete.
A Justiça argentina estima que 1,09 bilhão de pesos argentinos passaram por esse mecanismo. As notas de "compra de quilômetros nacionais" somam 311 milhões de pesos.
A presidência formal da Baires Fly consta em nome de Marcela Mabel Racana, mas quem comanda a empresa, segundo reportagens argentinas, é Luis Grande. A companhia nega que Mastropietro tenha qualquer vínculo com ela.
Já o próprio Mastropietro afirma que o dinheiro "saiu de uma conta regular de banco para outra conta regular", sem admitir irregularidade.
A fuga de Flávio ocorreu quatro dias depois de o candidato derrotado perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 (48,21%) do senador.
A Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte de Flávio sete minutos depois de o TSE declarar o resultado. Mas ele já havia deixado o país pela fronteira com a Argentina usando o passaporte italiano.
O que acontece agora
A investigação sobre a Andis segue sob responsabilidade do juiz Ariel Lijo, na Argentina, sem data prevista para conclusão. No Brasil, a Polícia Federal apura a rota que Flávio usou para cruzar a fronteira.
Flávio e a família já desembarcaram na Flórida, onde o senador se reuniu com o irmão, Eduardo Bolsonaro.































