Um sindicato que representa trabalhadores da Micron Technology deflagrou, nesta quinta-feira (22), a primeira greve da história do setor de semicondutores em Taiwan. O movimento é parte de uma disputa sobre a divisão dos lucros extraordinários do boom da inteligência artificial.

O sindicato de Taoyuan, no norte de Taiwan, quer que a fabricante americana de chips de memória destine 15% do lucro operacional a bônus trimestrais para os funcionários, seguindo o modelo já usado pelas concorrentes sul-coreanas Samsung e SK Hynix.

Como foi a paralisação

A greve durou 24 horas e começou às 9h (horário local) de quinta-feira, em frente à unidade da Micron em Taoyuan. Foi uma paralisação simbólica: apenas 11 dirigentes sindicais participaram efetivamente, enquanto o grosso dos cerca de 3 mil funcionários da unidade seguiu trabalhando.

Taiwan responde por mais de 60% da produção de chips de memória DRAM da Micron, o que torna qualquer paralisação no país sensível para a cadeia global de suprimentos da empresa.

A diferença entre as duas fábricas da Micron em Taiwan mostra como a disputa está longe de uniforme dentro da própria empresa. Um dia antes da greve, a Micron fechou acordo com o sindicato de Taichung, que representa cerca de 12.300 trabalhadores.

O acordo prevê reajuste salarial e bônus trimestrais, metade em dinheiro e metade em ações, além de três dias a mais de licença remunerada e aumento na contribuição para a previdência. As condições valem para todas as unidades da empresa no país.

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“Agradecemos aos representantes sindicais em Taoyuan pela postura racional e respeitamos seu direito legal de greve. No entanto, continuamos em diálogo com eles e esperamos chegar a uma solução que seja benéfica para ambas as partes”, disse Donghui Lu, vice-presidente corporativo de operações da Micron.

O que acontece agora

As negociações entre a Micron e o sindicato de Taoyuan continuam, sem data definida para um novo acordo. A disputa ocorre em meio à corrida global por chips para data centers de inteligência artificial, negócio que já atrai investimento também no Brasil.

Taiwan segue no centro da disputa geopolítica pelos semicondutores: o país já havia investigado contrabando de chips de IA da Nvidia para a China, tema que também entrou na agenda de disputas comerciais entre Estados Unidos e China.