O IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro, bem abaixo dos 0,45% que o mercado esperava, segundo o IBGE. Pesaram a queda nas passagens aéreas e a troca da bandeira tarifária, que saiu de amarela para verde no mês.

Em 12 meses, o índice acumula 4,62%, acima do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central, e maior que os 4,47% registrados até setembro.

O que puxou a inflação para baixo

O maior alívio veio dos transportes: as passagens aéreas caíram 9,24% no mês, o maior impacto negativo entre todos os itens pesquisados. A energia elétrica residencial também ajudou, com a troca da bandeira tarifária de amarela para verde.

Do lado oposto, a comida pesou mais no orçamento: a alimentação no domicílio subiu 1,01% no mês, puxada pelo tomate (+24,54%), pela cebola (+13,63%) e pela batata-inglesa (+10,96%). Recuaram a cenoura e o café moído.

O resultado mistura alívio e alerta: caiu o que pesa no deslocamento e na conta de luz, mas subiu o que está no prato todo dia.

O que os economistas dizem sobre a Selic

O resultado abaixo do esperado reacende a expectativa de corte de juros, mas não é unanimidade entre os economistas consultados pelo mercado. A próxima decisão do Copom sobre a Selic está marcada para 4 de novembro.

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Para o economista Roberto Troster, do Cefeb/Fipe, "o resultado abre espaço para que a Selic volte a cair no encontro de 4 de novembro". A Genial projeta a taxa em 13,25% ao fim de 2026 e 11,25% em 2027.

Ainda não dá para cantar vitória diante da inflação.

A frase é do economista Pablo Spyer, da Ancord, que lembra que o número do mês ficou aquém dos 0,44% projetados. No mesmo tom, a economista Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos, diz que "a inflação de 2026 permanece sob pressão e tende a acelerar".

Inflação desacelerou, mas por quanto tempo?

O índice de difusão, que mede a fatia de itens da cesta com alta de preço, subiu de 53,7% em setembro para 58,9% em outubro: mais coisas subiram de preço ao mesmo tempo, não menos.

Gabriel Pestana, economista da Genial, resume o risco: "foi o recuo nas passagens aéreas que mais contribuiu para o resultado melhor", mas "há risco de deterioração no trimestre final".

A inflação já havia furado o teto da meta em setembro, e o ano ainda não fechou.