O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,109 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 0,8% sobre os três meses anteriores e de 14,6% em relação a igual período do ano passado. O resultado ficou em linha com as previsões dos analistas.

A carteira de crédito expandida do banco chegou a R$ 1,15 trilhão em setembro, alta de 1,1% no trimestre e 11,1% em 12 meses. O maior crescimento veio de empresas: a carteira de pessoa jurídica somou R$ 664,7 bilhões, alta de 14,1% em um ano.

O lucro foi puxado por receitas que não dependem de crédito: a receita de prestação de serviços somou R$ 10,9 bilhões, alta de 4,2% no trimestre, enquanto as despesas operacionais caíram 1,0% em 12 meses, abaixo da inflação do período, de 4,41%.

"Vimos nossas receitas relacionadas a crédito crescerem menos, mas conseguimos compensá-las com receitas não oriundas de crédito e bom controle de despesas", disse o CEO do banco, Marcelo Noronha, na divulgação do resultado.

O que preocupa no balanço

O que preocupa no balanço é a inadimplência, que subiu a 4,6% no trimestre, ante 4,3% no período anterior e 4,1% um ano antes. As provisões para devedores duvidosos somaram R$ 10,6 bilhões, salto de 24,3% em 12 meses.

O banco está emprestando mais, mas também reservando mais dinheiro para cobrir calote, sinal de que a cautela com o crédito ainda não desapareceu.

Para sustentar investimentos em tecnologia e a expansão dos negócios, o Bradesco também concluiu um aumento de capital de R$ 10 bilhões, com R$ 5,4 bilhões vindos dos controladores e R$ 4,6 bilhões de acionistas minoritários.

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Como o Bradesco se compara aos rivais

Como o Bradesco se compara aos rivais depende de qual banco entra na conta. O Itaú teve lucro de R$ 12,4 bilhões no 2º trimestre deste ano, mais que o dobro do resultado trimestral do Bradesco.

Já o Santander Brasil teve o caminho oposto: o lucro caiu 17,6% no 2º trimestre, com inadimplência em alta. Em outubro, o JPMorgan avaliou os grandes bancos brasileiros e rebaixou o Banco do Brasil, mas manteve a recomendação para o Bradesco.

O que acontece agora

Agora, o mercado acompanha se o Bradesco consegue manter o ritmo de controle de despesas no 4º trimestre, enquanto a taxa de juros segue em patamar elevado. O próximo balanço trimestral deve sair em fevereiro de 2027.