A estatal PPSA (Pré-Sal Petróleo) vendeu, nesta quinta-feira (22), todo o gás natural que cabe à União nos contratos de partilha do pré-sal em seu primeiro leilão. Os 110 lotes disponíveis foram arrematados por 23 empresas, com ágio médio de 35%.
É a primeira vez que a estatal oferece diretamente ao mercado essa parcela do gás que pertence à União, antes repassada por outros caminhos. O fornecimento começa em março de 2027 e vai até dezembro do mesmo ano.
Quem comprou e por quanto
Quem comprou e por quanto depende do setor. O leilão foi dividido entre cinco grupos da indústria de base: químico e petroquímico, siderurgia e metalurgia, fertilizantes, cerâmica e vidro. Juntos, química e siderurgia levaram 670 mil m³/dia, 61% do volume vendido.
O setor vidreiro pagou o maior ágio, de US$ 4 por milhão de BTU, enquanto fertilizantes nitrogenados venceram com propostas a partir de US$ 1,82. Entre as compradoras estão Braskem, Vale, CSN, Gerdau, Yara Brasil e Dexco.
A Yara, por exemplo, cortou produção na Europa e foi buscar gás mais barato no leilão brasileiro.
O preço final de cada contrato soma esse ágio a 115% da cotação do Henry Hub, referência americana para gás natural, calculada todo mês. A arrecadação do leilão para os cofres públicos somou R$ 377 milhões.
Por que o governo chama isso de marco
Por que o governo chama isso de marco é simples: até agora, o gás da União nunca tinha sido vendido direto ao mercado por um leilão público, aberto e competitivo.
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"Pela primeira vez, o gás que cabe à União é comercializado diretamente ao mercado", disse a Abrace Energia, associação dos grandes consumidores industriais, em nota.
Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, celebrou o ritmo da operação. "O que celebramos é termos tirado o leilão do papel em tempo recorde, com segurança e transparência. Mostramos que é possível transformar o gás da União em mais competitividade para a indústria brasileira", afirmou.
O leilão é uma vitória para quem comprou gás mais barato, mas não muda, por si só, a conta de quem não está nessa lista: o consumidor residencial continua comprando de distribuidoras locais, fora desse mercado direto.
O ponto em aberto
O ponto em aberto é se este primeiro resultado se repete. A decisão de abrir gasodutos da Petrobras ao gás da União, do CNPE em julho, já projetava gás mais barato para a indústria.
Mas a disputa sobre quem controla o preço do insumo seguiu tensa entre o governo e a Petrobras nos meses seguintes.
A PPSA já planeja uma nova rodada de venda para 2027, mas o edital da próxima oferta ainda não foi divulgado.































