Bernie Sanders e outros 11 deputados democratas dos EUA enviaram carta ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, cobrando explicações sobre suspeita de tratamento desigual a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas redes, a três dias do 2º turno da eleição no Brasil, domingo (25).
A carta é iniciativa da deputada democrata Pramila Jayapal. Ela cita reportagem da Folha sobre mensagens internas da Meta que reconhecem vantagem para Flávio Bolsonaro. Um funcionário afirmou que a conta de Lula estava mais limitada e alertou para consequências jurídicas.
Nenhuma empresa de redes sociais deveria poder desequilibrar a disputa em uma eleição democrática. É imperdoável que a Meta tenha feito isso e, depois, resistido ao cumprimento da decisão judicial. Agora, a Meta precisa prestar esclarecimentos sobre essas graves acusações de interferência e garantir que todas as campanhas recebam tratamento igualitário em suas plataformas
A frase é de Jayapal, em declaração à Folha. O documento também questiona se a Meta manteve contato com o governo de Donald Trump sobre as eleições brasileiras, ponto que os parlamentares pedem para esclarecer.
O que a Meta responde às acusações?
A Meta nega favorecimento e atribui os problemas a falhas técnicas. O ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, ouviu a empresa após determinar que ela comprovasse em 24 horas tratamento igualitário entre as campanhas nos sistemas de IA.
A decisão partiu de reclamação da campanha de Lula, que alegou alcance orgânico menor que o do adversário. A IA do WhatsApp recusava gerar materiais com o nome do petista, mas atendia pedidos sobre Flávio Bolsonaro.
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Em resposta, a Meta apresentou documentos que, segundo a empresa, atestam tratamento igualitário e não discriminatório entre as duas candidaturas, incluindo a remoção de 720 publicações em desacordo com as regras eleitorais. A multa diária por descumprimento pode chegar a R$ 1 milhão.
A pressão sobre a Meta já havia motivado a denúncia da campanha de Lula contra a empresa e outras big techs na OEA.
Em setembro, a própria empresa aprovou 13 de 15 anúncios falsos com inteligência artificial submetidos em teste por pesquisadores sobre as eleições.
Dois dias antes da carta, o Instituto Vladimir Herzog e a CTRL+Z pediram ao Congresso dos EUA uma investigação sobre as plataformas digitais na eleição brasileira. As entidades cobraram preservação de registros e auditoria independente dos sistemas de recomendação.
Os números mostram o volume de relatos que motivou a denúncia formal, não uma apuração fechada sobre favorecimento. Foi esse volume, somado às mensagens internas citadas pela Folha, que levou Sanders a cobrar resposta direta de Zuckerberg.
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A Procuradoria Geral Eleitoral apontou, na quarta (21), descumprimento da ordem do TSE pela Meta no mesmo caso.
A corte eleitoral proibiu propaganda paga e conteúdo com IA até o 2º turno.
O que acontece agora
O segundo turno acontece neste domingo (25), e a Meta segue sob acompanhamento do TSE sobre o cumprimento da ordem de igualdade. A carta de Sanders não tem poder de sanção, mas pressiona o Congresso dos EUA a cobrar resposta de Zuckerberg.































