É falso que um áudio do coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho, revela um plano de golpe de Estado. A gravação que circula nas redes atribui a ele uma voz que afirma que o candidato cortaria benefícios sociais.

A checagem é do UOL Confere.

O que a gravação afirma

A gravação afirma que, numa reunião com ACM Neto (União Brasil), candidato derrotado ao governo da Bahia, Flávio teria dito que cortaria o Bolsa Família, reduziria a aposentadoria em 50% e privatizaria estatais como Petrobras e Correios.

O áudio ainda insinua que um golpe de Estado está em curso e que o candidato já teria falado em mudar a Constituição.

"Gravíssimo! Áudio gravado de apoiador e coordenador de campanha de Flávio expõe intenção de golpe do candidato!", diz a publicação que espalhou o material.

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Por que é falso

É falso porque a voz da gravação não é de Rogério Marinho.

O UOL Confere submeteu o áudio a ferramentas de detecção de inteligência artificial, que não acusaram conteúdo sintético. Ou seja, não é voz clonada por IA: é outra pessoa real se passando por ele.

Flávio teve ao menos dois encontros públicos com ACM Neto depois do 1º turno, em 6 e 7 de outubro. Marinho, porém, não participou da primeira reunião: ele foi hospitalizado na noite do dia 6, logo após aterrissar em Brasília.

O áudio reaproveita uma fala real de Flávio sobre mudar a Constituição para construir uma acusação que não aconteceu daquele jeito.

Em 7 de outubro, o próprio candidato já havia falado em mudar a Constituição, frase que gerou temor de golpe na ocasião e que a gravação falsa usa como munição.

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Nenhum veículo jornalístico profissional noticiou qualquer vazamento desse áudio até a publicação da checagem. A assessoria da campanha de Flávio declarou ao UOL Confere que o material é falso.

O que acontece agora

Agora, a checagem segue disponível para quem receber o áudio e quiser confirmar a procedência. A OEA já havia alertado sobre o risco de desinformação nesta eleição, mesmo elogiando o processo eleitoral brasileiro.

Faltam três dias para o 2º turno, no domingo (25), e checadores de fatos devem seguir monitorando novas peças de desinformação até a votação.