A Justiça de São Paulo negou nesta terça-feira (20) o pedido de prisão preventiva de Amilton Jusselino Rodrigues, investigado por atropelar e matar Carlos Boulos, de 80 anos, tio do ministro Guilherme Boulos, e impôs medidas cautelares no lugar da prisão.

O atropelamento ocorreu na noite de sábado (3), na Avenida 23 de Maio, no centro de São Paulo, após uma discussão de trânsito. Carlos caiu, bateu a cabeça e morreu três dias depois, em 6 de outubro.

Por que o pedido de prisão foi negado?

O pedido foi negado porque o juiz Daniel de Medeiros Silva Corró considerou que medidas cautelares alternativas já bastavam para o andamento do caso. A Polícia Civil e o Ministério Público (MPSP) haviam pedido a prisão preventiva alegando que o motorista fugiu do local.

Eles também alegavam que ele responde por tentativa de homicídio qualificado. Segundo o magistrado, porém, Amilton se apresentou às autoridades depois do ocorrido e não representa risco às investigações.

O juiz recebeu a denúncia do MP e determinou comparecimento mensal em juízo e proibição de mudar de endereço ou viajar sem autorização. Deu ainda dez dias para a defesa responder à acusação e pediu exames periciais e necroscópicos para esclarecer a dinâmica do atropelamento.

A defesa, pelo advogado Natan Tolintino, afirma que Amilton tentou deixar o local por medo, para proteger a esposa e o filho, e nega a intenção de atingir a vítima.

"O caso ainda está sendo apurado e é precipitado afirmar, neste momento, que houve intenção de matar", disse o advogado. "Não houve intenção deliberada de atingir ou matar a vítima."

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O argumento da fuga por medo já apareceu em outro caso recente. Um lateral do São Paulo foi solto após atropelar e matar um idoso em Barueri.

Também um bombeiro foi liberado depois de matar um estudante a tiros em Taubaté, em decisão que também considerou suficientes medidas alternativas à prisão.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, Amilton foi identificado pela placa do veículo e levado à delegacia no mesmo dia, mas não houve prisão em flagrante.

A CNN Brasil informou ter entrado em contato com o MPSP e com a defesa de Amilton para comentar a decisão, mas não obteve retorno até a publicação.

O que acontece agora

A defesa de Amilton tem dez dias, a partir desta terça, para apresentar resposta escrita à denúncia do MPSP. Em paralelo, devem ser realizados os exames periciais e necroscópicos que vão reconstituir a dinâmica do atropelamento.