O governo de Portugal anunciou nesta quarta-feira (14) a escolha da Lufthansa para a privatização da TAP. A companhia aérea alemã vai pagar 1,2 bilhão de euros (US$ 1,3 bilhão) por 44,9% da aérea portuguesa, superando a proposta da Air France-KLM.
Segundo o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, a oferta da Lufthansa superou em 16% a da concorrente francesa. A IAG, dona da Iberia e da British Airways, havia desistido da disputa antes da fase final.
A Lufthansa já controla a Austrian Airlines, a ITA Airways e a Swiss. Com a TAP, soma mais uma aérea europeia ao seu grupo, em meio a uma onda de consolidação do setor no continente.
Por que o Brasil é afetado?
A TAP é a líder nas ligações aéreas entre Europa e Brasil, e a aquisição dá à Lufthansa acesso direto a essa rede, reforçando sua presença na América Latina. A companhia portuguesa voa para 15 cidades brasileiras.
No 1º semestre de 2026, a TAP transportou um recorde de 8,2 milhões de passageiros, alta de 4,2% ante o mesmo período do ano anterior, com receita operacional 4,3% maior.
O que muda na gestão da TAP?
O Estado português está impedido, no médio prazo, de injetar dinheiro na companhia. O governo exigiu da Lufthansa a manutenção do hub de Lisboa e um plano de crescimento que inclua regiões autônomas, diáspora e países de língua portuguesa.
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Uma eventual segunda etapa, com a Lufthansa assumindo a maioria do capital, prevê mais 1,35 bilhão de euros e depende de um processo separado, com conclusão prevista para julho de 2028.
A Air France-KLM não desistiu de crescer na Europa mesmo com a derrota: segundo a Valor, outras aéreas do continente seguem fora dos três grandes grupos europeus, o que mantém viva a disputa por novas fusões no setor.
O que acontece agora
A operação ainda depende da aprovação de reguladores, com destaque para a análise da concorrência na União Europeia. Segundo o ministro das Finanças português, Miranda Sarmento, o processo deve levar entre 18 e 24 meses.
No Brasil, a TAP já havia enfrentado turbulências operacionais recentes: em agosto, um voo para Curitiba declarou emergência por despressurização e voltou a Lisboa. Em junho, uma greve geral em Portugal já havia cancelado voos com o Brasil.
A fabricante brasileira Embraer, que não participa diretamente do negócio, segue como fornecedora de peso do setor: a empresa emenda recordes de entregas em 2026.





























