O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prometeu nesta terça-feira (20) restabelecer o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos) se vencer a eleição. O programa isentava empresas de eventos de impostos federais e foi encerrado pelo governo Lula em abril de 2025.

"Eu vou restabelecer o Perse para todos os setores de eventos culturais, shows e turismo, que hoje estão sufocados e endividados pela crise que esse governo colocou o país inteiro", disse Flávio, em vídeo publicado no X pela coordenadora econômica de sua campanha, Daniella Marques.

"Eu vou salvar o setor de shows, porque onde tem eventos o comércio vende mais, o taxista e o Uber faturam, os pequenos artistas prosperam e a economia gira", completou o candidato.

Por que o Perse foi encerrado?

O Perse foi encerrado porque estourou o teto de recursos e virou alvo de suspeita de fraude. Criado em 2021 pelo governo Jair Bolsonaro para compensar os efeitos da pandemia no setor de eventos, o programa zerava as alíquotas federais de IRPJ, PIS/Cofins e CSLL.

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O então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a propor a extinção do Perse em 2023, mas o Congresso prorrogou o benefício em 2024, com um teto de R$ 15 bilhões. Esse limite foi consumido em menos de um ano.

Em 2023, as empresas haviam declarado R$ 17 bilhões em benefícios, mais de quatro vezes a estimativa oficial de gasto anual, de R$ 4,4 bilhões.

A área técnica do Planalto chegou a projetar um custo total de até R$ 30 bilhões, somando possíveis fraudes identificadas pela Receita Federal.

O mesmo programa que Flávio chama de socorro ao pequeno artista foi alvo, em 2025, de cobrança do ministro do STF Flávio Dino.

O ministro questionou empresas beneficiadas pelo Perse que também receberam recursos de emendas Pix destinadas a eventos, sem prestação de contas, com suspeita de lavagem de dinheiro e de empresas sem relação legítima com o setor.

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A proposta de retomar o Perse entra na agenda econômica da campanha de Flávio, montada com o economista escolhido por Augusto Cury para tocar a área.

É a mesma lógica de promessa segmentada que marcou o primeiro discurso do candidato, mirado no eleitorado feminino. Flávio e Lula se enfrentam no segundo turno neste domingo (25).

O que acontece agora

Até lá, nenhum projeto de lei para recriar o Perse foi protocolado. A promessa depende de o candidato vencer a disputa e enviar a proposta ao Congresso já em um eventual novo mandato.