O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou nesta terça-feira (6), em pronunciamento por vídeo, que a inteligência do país indica que a Rússia prepara um "ataque em grande escala" contra a Ucrânia. As Forças Aéreas ucranianas dizem estar prontas para reagir.

Há informações de inteligência atualizadas indicando que a Rússia está preparando um ataque em grande escala. Os serviços de inteligência ucranianos e nossa Força Aérea estão prontos para responder na medida do possível, com os meios de defesa de que dispomos.

Zelensky disse que a resposta da Ucrânia depende, em grande parte, do que os aliados puderem fornecer em armamento. Ele cobrou "vontade política", especialmente dos Estados Unidos e da Europa.

O alerta segue um padrão que se repete a cada outono desde 2022: a Rússia intensifica os ataques à infraestrutura de energia da Ucrânia às vésperas do inverno. Em 2022 e 2023, cada ataque reunia cerca de 70 mísseis e 100 drones.

Em 2025, esse número mais que triplicou: ataques isolados já reuniram até 400 drones, e a Rússia somou 2.900 ataques à energia ucraniana só entre março e agosto daquele ano.

O desgaste acumulado é profundo. Metade da capacidade de geração de energia da Ucrânia foi ocupada, destruída ou danificada desde 2022, segundo compilação de institutos internacionais, e 90% das usinas termelétricas da DTEK, maior distribuidora do país, sofreram danos.

A ofensiva não é de mão única: a Ucrânia também ampliou ataques a refinarias que bancam a guerra russa, numa estratégia que mira a indústria, não só o território do adversário.

Por isso a Rússia mira a indústria, não apenas o território ucraniano, e por isso Zelensky já havia proposto uma trégua para proteger grãos e energia dos dois lados.

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Cada novo aviso de ataque em grande escala chega mais pesado que o anterior, não porque a retórica mudou, mas porque a escala real dos ataques cresceu a cada ano.

O que o padrão sugere para este inverno

Se a escalada seguir a curva dos últimos anos, o ataque que Zelensky anuncia tende a ser maior que os do inverno passado, não menor.

A dúvida que fica é se as defesas antiaéreas da Ucrânia, dependentes do apoio ocidental, vão crescer na mesma velocidade que os ataques.