Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) têm posições opostas sobre o fim da escala 6x1, tema que entrou no plenário do Senado nesta terça-feira (6), no meio do 2º turno da eleição presidencial, segundo o Valor. Os dois disputam o cargo em 25 de outubro.

Lula defende a aprovação da PEC 221/2019, que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, sem corte de salário.

Flávio critica o texto e propõe que o trabalhador escolha a própria carga horária, com remuneração proporcional às horas.

"Defendemos que seja de uma vez. Não dá para aceitar ficar quatro anos reduzindo meia hora por ano", disse Lula em maio, contra a implementação progressiva prevista no texto.

"Eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que está na mesa, que é dar liberdade para o trabalhador escolher sua própria carga horária", disse Flávio nesta terça, em Brasília, sem detalhar o modelo.

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O que cada um propõe

O plano de governo de Lula traz o fim da escala 6x1 na diretriz "Valorizar o Trabalho em suas Múltiplas Formas", com transição para 40 horas semanais sem redução salarial.

Já Flávio citou mães que não cumprem jornada de 8 horas por falta de creche, e prometeu um voucher para vaga em creche privada nesses casos.

Flávio chamou a discussão de "oportunista": "O Lula, em 4 anos de governo, não faz. Agora, no meio do 2º turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento achando que isso vai dar voto para ele."

A divisão na base aliada de Flávio

A posição de Flávio esbarra em uma divergência dentro da sua base de apoio — tanto no próprio PL quanto entre aliados de outros partidos. A campanha de Flávio já havia articulado para adiar a votação da PEC.

No PL, o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), apresentou uma proposta própria de jornada flexível no Senado, com remuneração proporcional às horas trabalhadas.

Marinho argumenta que a redução aumentaria o custo de produção das empresas, com repasse aos preços. "É evidente que vai haver um aumento no custo da produção de bens e serviços gerados por qualquer empresa no Brasil, desde a pequena até a grande", disse.

Fora do PL, na base aliada, o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), é favorável à redução da jornada desde maio e pediu nesta semana que Flávio "deixe de escutar" Marinho sobre o tema.

"Comece a escutar quem realmente conhece Minas Gerais e quem realmente sabe a dor do povo", disse Cleitinho à CNN.

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A PEC já foi aprovada pela Câmara em maio e começou a ser discutida no plenário do Senado nesta terça.

Faltam cinco sessões de discussão antes da votação em 1º turno, intervalo que pode ser reduzido por acordo entre líderes. Para ser aprovada, precisa de ao menos 49 votos favoráveis, em dois turnos de votação.

O ponto em aberto

Lula chega à disputa com uma proposta fechada, registrada no próprio plano de governo. Flávio, por ora, descreve a sua como "infinitamente melhor" sem detalhar o texto.

Na base que apoia Flávio, Marinho, do PL, e Cleitinho, do Republicanos, defendem caminhos opostos sobre a jornada de trabalho. O cenário deixa em aberto qual modelo o PL apresentaria de fato, caso vença o 2º turno.