Os focos de incêndio na Amazônia triplicaram desde 4 de outubro, dia da primeira rodada das eleições presidenciais, e atingem sobretudo o Amazonas e o Pará, segundo o Ministério do Meio Ambiente. O ministro João Paulo Capobianco cita esforço premeditado.

Capobianco e equipes ambientais sobrevoaram as áreas queimadas no domingo e na quarta-feira (14) e viram focos em terras protegidas organizados em padrão geométrico, o que reforça a suspeita de ação deliberada.

Os indícios apontam para um esforço premeditado.

Segundo o ministro, a localização dos focos sugere ato criminoso deliberado para danificar a floresta e tomar terra ilegalmente. Em Manaus, capital do Amazonas, aulas foram suspensas e moradores foram orientados a usar máscara contra a fumaça.

"Chegamos em casa, e a casa está cheia de fumaça", relatou a bióloga Susana Braz, de 35 anos, que estuda os efeitos das cinzas tóxicas na região.

O governo federal já havia reforçado a resposta aos incêndios no Amazonas no início da semana.

Publicidade

Levantamento da ferramenta Barometro mapeou 165 publicações de 41 políticos sobre os incêndios e identificou que cerca de 55% partiram da direita. Os posts migraram de alertas de saúde pública para disputas políticas. Políticos conservadores do Amazonas foram os mais vocais sobre o tema.

Entre os políticos que mais usaram o tema está o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que atribuiu o maior número de queimadas na Amazônia nos últimos 17 anos aos governos de Lula.

O desmatamento, porém, teve trajetória oposta. O terceiro mandato de Lula reduziu a atividade em 51% entre janeiro e agosto de 2026 na comparação com 2022, segundo o INPE.

Já o desmatamento no Amazonas havia caído 57% em 2026, segundo o mesmo instituto.

O presidente Lula não respondeu diretamente às críticas, mas publicou vídeo nas redes dizendo que "o povo do Amazonas pode contar com o governo federal" na resposta à crise.

Publicidade

A pesquisadora Ane Alencar, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, afirma que quase todas as ignições na região têm origem humana, ligadas à renovação de pastagens. Em períodos muito secos, esses fogos escapam do controle.

Pesquisa PoderData divulgada em 13 de outubro apontava Flávio com 51% e Lula com 49% no 2º turno.

O que acontece agora

A Polícia Federal e agentes de inteligência seguem no Amazonas para identificar os responsáveis pelos focos, segundo o ministério. O caso corre enquanto a disputa pelo 2º turno, marcado para 25 de outubro, segue acirrada entre Lula e Flávio.