O ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (23), em podcast nos Estados Unidos, que o irmão Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, deve deixar o Brasil se perder o 2º turno de domingo (25) para Lula (PT), e questionou as urnas eletrônicas.
Eduardo participou ao vivo, no estúdio, do programa "Louder with Crowder", apresentado pelo comentarista político americano Steven Crowder. Em 2021, Crowder teve o canal no YouTube suspenso por uma semana por divulgar alegações falsas sobre a eleição americana de 2020.
A entrevista começou com uma pergunta de um espectador, enviada pelo chat do programa, sobre o que a família faria se Flávio perdesse a eleição. Eduardo respondeu em tom de brincadeira: "Mandar os fuzileiros navais", e riu em seguida.
"Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza", disse Eduardo Bolsonaro.
Crowder levou a fala a sério e comentou a possibilidade de reação da esquerda brasileira. "Haveria gente na esquerda furiosa com isso [...] Mas esse é um exemplo perfeito do que está errado", afirmou o apresentador.
"Alguma coisa tem que ser feita, a não ser que vocês consigam fazer um ataque de helicóptero para arrancar os telhados da prisão", completou Crowder, em referência a uma eventual condenação de Flávio.
Publicidade
Eduardo justificou a defesa pelo exílio citando uma troca no debate entre Lula e Flávio. "Teve uma parte do debate em que o Lula disse: olha, você vai perder a eleição", relatou.
"No ano que vem você não vai mais ser senador. Não vai ter imunidade. E nós vamos investigar tudo sobre você. Ele disse isso abertamente, no meio do debate. Ele estava ameaçando meu irmão", completou, sobre a fala atribuída a Lula.
Sobre o sistema eleitoral, Eduardo repetiu críticas que já fez antes: "O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina."
Completou dizendo que o modelo depende de "20 burocratas que contam os votos em Brasília", numa citação que atribuiu ao ditador soviético Josef Stálin sobre quem conta os votos decidir a eleição.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que nunca houve comprovação de fraude nas urnas eletrônicas usadas no Brasil. Eduardo já teve posts removidos pelo TSE por conterem desinformação sobre o modelo eleitoral.
Eduardo vive autoexilado nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, alegando fugir de perseguição política contra a família. Perdeu a cadeira na Câmara por faltas e foi demitido do cargo de escrivão da Polícia Federal.
Em julho deste ano, obteve um green card do governo de Donald Trump, que permite permanência por tempo indeterminado nos EUA, trabalho e acesso a benefícios de saúde estaduais.
Caso volte ao Brasil, Eduardo terá de responder pela condenação do STF por usar sua atuação nos EUA para pressionar ministros da Corte no julgamento contra o pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.
Publicidade
O ministro Alexandre de Moraes já expediu mandado de prisão imediata e cancelou os passaportes de Eduardo.
Mesmo com o mandado em aberto, Eduardo segue circulando em eventos políticos nos EUA — chegou a discursar ao lado do presidente argentino Javier Milei no início de outubro.
O que acontece agora
O 2º turno entre Flávio e Lula acontece neste domingo (25). No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, e Lula, 45,16%.
Os dois candidatos fizeram o último debate antes da votação nesta sexta-feira, horas antes da entrevista de Eduardo ir ao ar.































