Um estudo da organização britânica Ekō mostrou que a Meta aprovou 13 de 15 anúncios políticos com informações falsas sobre as eleições brasileiras de 2026, criados com inteligência artificial e submetidos como teste ao Facebook e ao Instagram nesta quinta-feira (17).

Segundo a Ekō, as peças usavam imagens fabricadas com ChatGPT, Grok e Gemini e não chegaram a ser exibidas a usuários reais. Nenhum dos 15 anúncios continha o rótulo de conteúdo feito por IA, exigido pela resolução do TSE sobre IA na propaganda eleitoral.

Dois anúncios foram recusados, mas por suspeita de prática comercial enganosa, não por violar regra eleitoral.

O que havia nos anúncios aprovados?

Os anúncios aprovados vão de ameaças a congressistas a uma data falsa para o 1º turno. Um deles trazia imagem fabricada de um ministro do TSE dando declaração que nunca existiu, e outro atribuía a Donald Trump um apoio oficial a Flávio Bolsonaro (PL).

Também foram aprovados anúncios convocando a "retomar Brasília", em referência aos ataques aos Três Poderes de 8 de janeiro de 2023, além de peças com discurso de ódio contra pessoas transgênero e desinformação sobre comunidades indígenas.

Um terceiro anúncio negava a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe. Os 15 testes partiram de uma conta dos Estados Unidos com segmentação para o Brasil, o que pode violar a vedação a publicidade eleitoral estrangeira.

Como a Meta respondeu

A Meta diz que os anúncios do teste nunca chegaram ao público real. Em nota, a empresa afirmou que o estudo "aponta anúncios que nunca foram vistos por nenhum usuário e não reflete a escala do nosso trabalho".

Segundo a Meta, o processo de análise de anúncios tem várias camadas de revisão, antes e depois da publicação, e a empresa investe recursos significativos em protocolos para peças sobre eleições e política.

O resultado do teste importa porque mostra que o filtro poderia deixar passar, em uma eleição real, o mesmo tipo de peça que a lei proíbe.

O que acontece agora

O conselho do TSE que monitora desinformação e uso indevido de IA pode analisar o caso, mas o tribunal não informou se vai apurar a conduta da Meta. Enquanto isso, o TRE-MG e a ALMG lançaram nesta semana uma campanha contra desinformação eleitoral no estado.