'Habeas Corpus', primeiro drama jurídico brasileiro da Netflix, chegou ao 1º lugar no ranking de séries mais vistas no Brasil, com 2,4 milhões de visualizações. A trama expõe quem tem dinheiro para pagar um bom advogado, e quem não tem.
Na semana de estreia, a série ficou em 4º lugar no Brasil. Na seguinte, assumiu o 1º lugar no país e o 6º no ranking global de séries não-inglesas. Foram 2,4 milhões de visualizações naquela semana.
A 1ª temporada, com 8 episódios, estreou em 23 de setembro, toda de uma vez. É a primeira produção brasileira a seguir o formato de dramas de tribunal como 'Law and Order' e 'Suits', mas ambientada na Justiça brasileira.
A mesma onda levou a Globoplay a lançar 'Verônika com K', e colocou advogados como protagonistas em 'Justiça 2' e na novela das 21h da Globo, 'Quem Ama Cuida'.
Por que o tema virou tendência agora?
A multiplicação de tramas jurídicas não é coincidência. Ela acompanha o debate em torno da Operação Lava-Jato, da crise recente no STF e das investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e os atos golpistas de 8 de janeiro.
Para o advogado Augusto de Arruda Botelho, a explicação é direta.
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A influência do STF no noticiário é gigantesca. As pessoas hoje estão mais interessadas em acompanhar julgamentos.
A frase é de Botelho, ex-Secretário Nacional de Justiça e crítico da transmissão ao vivo das sessões do STF pela TV Justiça. O canal foi criado por lei em 2002, a primeira emissora do mundo a exibir em tempo real julgamentos de uma Suprema Corte.
Para ele, o formato espetaculariza os julgamentos. "É prejudicial porque transforma um tema técnico numa discussão pessoal ou política, com torcida", afirma o advogado.
Por outro lado, Botelho comemora o aumento de tramas jurídicas. Para ele, a ficção pode mostrar o funcionamento da Justiça e apontar falhas a uma distância segura.
O ponto em aberto
Botelho vê os dois lados da mesma moeda. A ficção pode ensinar sobre o funcionamento da Justiça, mas o mesmo apetite por bastidores de tribunal já o fez criticar a transmissão ao vivo do STF pela TV Justiça.
A pergunta que fica é até onde o entretenimento jurídico esclarece, e a partir de quando ele também vira espetáculo.






























