A varejista de moda C&A teve lucro líquido de R$ 170,2 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 145,1% sobre os R$ 69,5 milhões do mesmo período de 2025. O resultado foi turbinado pelo reconhecimento de créditos fiscais de PIS e Cofins.

Sem esse efeito contábil, o quadro muda: o lucro líquido ajustado pós-IFRS 16 recuou 23,3%, para R$ 56,5 milhões, ante R$ 73,6 milhões um ano antes.

A receita líquida consolidada somou R$ 1,88 bilhão, alta de 2,3% em um ano. A receita de vestuário cresceu 2,6%, para R$ 1,69 bilhão.

A empresa atribuiu o trimestre fraco em vendas à combinação de juros altos, famílias endividadas e à Copa do Mundo, que reduziu o fluxo de lojas na primeira metade do período.

Nesse contexto, o trimestre apresentou dinâmicas distintas, que caracterizaram uma recuperação gradual da performance de vendas.

A frase está na nota que acompanhou o balanço. A partir de meados de setembro, segundo a empresa, o fluxo de lojas melhorou e a chegada da nova coleção de verão ajudou a recuperar vendas.

A margem bruta de vestuário chegou a 56,0%, a 21ª expansão trimestral seguida, apoiada por preços dinâmicos e pela nova estratégia logística. O canal digital cresceu 27,6% e já responde por 8% das vendas.

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O lucro realmente veio da operação da loja?

Não, em boa parte. O salto de 145% no lucro divulgado reflete principalmente créditos fiscais reconhecidos no trimestre. Olhando só para a operação, sem o efeito contábil, o lucro da C&A encolheu quase um quarto na comparação anual.

O contraste mostra que a recuperação de vendas da C&A ainda é mais lenta do que sugere o lucro contábil, inflado por um ganho fiscal pontual.

Mesmo assim, o resultado ajustado de R$ 56,5 milhões veio acima do que o mercado esperava, de R$ 45,5 milhões. A receita e o Ebitda também superaram as projeções.

A dívida líquida da empresa, porém, piorou 119,2% em um ano, para R$ 200,5 milhões. O investimento (capex) subiu 26,2%, para R$ 183,9 milhões, puxado por reformas de lojas e um novo centro de distribuição no Nordeste.

O resultado contrasta com parte do varejo brasileiro: a Casas Bahia e a Marabraz pediram recuperação judicial no mesmo dia, em agosto, por causa do endividamento.

O que acontece agora

A C&A segue as reformas em lojas importantes da rede e amplia a presença digital, que já soma 8% das vendas de mercadorias. A empresa aposta na nova coleção de verão para sustentar a recuperação observada desde meados de setembro.

O movimento acontece em meio a mudanças no consumo de moda: o mercado de roupas de segunda mão cresce três vezes mais rápido que o varejo tradicional.

O setor também pressiona por regras mais claras: entidades do varejo de moda já pediram mais previsibilidade na reforma tributária para planejar investimentos.