O endividamento das famílias brasileiras caiu para 81,6% em outubro, o segundo mês seguido de queda, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgada na quinta-feira (5 de novembro). O nível, porém, é maior que no mesmo mês de 2025.

A pesquisa é a Peic, de Endividamento e Inadimplência do Consumidor. Em setembro, o indicador estava em 81,7%. Um ano antes, em outubro de 2025, o endividamento era de 79,5%, 2,1 pontos percentuais abaixo do patamar atual.

O que melhorou e o que ainda preocupa

A inadimplência, famílias com dívidas em atraso, caiu para 29,3% em outubro, o menor patamar do ano e 1,2 ponto abaixo dos 30,5% de outubro de 2025. O percentual que se considera muito endividado também recuou, para 16,8%, o menor desde abril.

“As famílias têm privilegiado o abatimento ou a quitação de dívidas, até em detrimento do consumo”, afirmou o economista da CNC, Bentes. A entidade atribui a melhora ao pagamento do 13º salário, à recuperação do poder de compra e ao mercado de trabalho aquecido.

O tempo médio de atraso ficou em 65,1 dias, e quase metade dos casos (48,8%) já passa de 90 dias sem pagamento. A renda comprometida com dívidas segue em 19,3%, praticamente estável.

O preço de ficar com o nome sujo

O cartão de crédito é hoje o principal vilão: responde por 42% das pendências, um salto de 18 pontos percentuais sobre 2025. A dívida no rotativo do cartão pode dobrar em oito meses sem pagamento, alerta o Banco Central.

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A taxa média do rotativo supera 476% ao ano, com picos acima de 1.000% em algumas instituições. Segundo o Banco Central, a inadimplência específica do cartão chegou a 66,15% em agosto, e a do cheque especial, a 15,34%.

Esse descompasso já havia sido notado em setembro, quando um levantamento mostrou que o juro cobrado das famílias subiu mesmo com a Selic em queda desde março.

Para tentar reverter o quadro, o governo ampliou o Desenrola 3.0, programa em que a União compra dívida de bancos diretamente.

O ponto em aberto

O próprio economista da CNC reconheceu o limite da melhora atual. “Quando essa taxa do rotativo está lá em cima, isso dificulta muito esse reequilíbrio”, disse.

A pesquisa não diz quanto da queda recente resiste a um juro do cartão que segue na casa das centenas por cento ao ano.