A crise do banco Ueno derrubou nesta semana o presidente do Paraguai, Santiago Peña, e deixou 3 milhões de clientes sem acesso às contas. No Brasil, a liquidação do Banco Master afetou 12 milhões de clientes, quatro vezes mais gente.
Mesmo assim, não houve crise política equivalente no Brasil em novembro de 2025. A diferença não está no tamanho do estrago, e sim na engenharia que cada país construiu para absorvê-lo.
O que o Brasil já testou na prática
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no que a imprensa chamou de maior rombo da história do país, com custo de R$ 41 bilhões a R$ 50 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
É quase um terço de todo o patrimônio do fundo.
Mesmo assim, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que o Master representava menos de 0,5% dos ativos do sistema financeiro, sem efeito sistêmico. Os clientes ressarcidos migraram para bancos maiores, como esperado numa resolução bancária.
O FGC já havia pago cerca de R$ 39,7 bilhões até maio, com R$ 1,83 bilhão ainda a resgatar em julho. O fundo cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição.
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Esse rescaldo é hoje alvo de golpistas que tentam se passar pelo FGC para roubar dados de quem ainda espera o dinheiro.
As três travas que faltaram ao Ueno
No Paraguai, o Banco Central interveio o Ueno só depois de constatar que o índice de solvência da instituição havia caído abaixo de 50% do mínimo exigido por lei.
A garantia de depósitos por pessoa equivale a cerca de 228,3 milhões de guaranis, perto de R$ 190 mil em valores aproximados, abaixo do teto brasileiro.
No Brasil, uma resolução do Conselho Monetário Nacional, em vigor desde 2019, limita a 10% do patrimônio líquido o quanto um banco pode emprestar a controladores e partes relacionadas.
O Ueno quebrou justamente por financiar empresas do próprio grupo controlador acima do que a solvência suportava.
O Banco Central brasileiro também exige índice de capital mínimo de 11% dos ativos ponderados pelo risco, o chamado Índice de Basileia. Em dezembro de 2025, a média do sistema financeiro nacional estava em 17,24%.
O ponto em aberto
As regras não impedem todo banco de quebrar. O próprio caso Master mostra isso: dois servidores do Banco Central foram afastados por suspeita de propina ligada ao banco.
O que parece evitar a crise política é outra coisa: um fundo grande o bastante para pagar a conta sem que o governo precise admitir que soube e deixou acontecer.






























