O Banco Central cortou a Selic de 14,75% para 14,25% entre fevereiro e junho de 2026, mas o juro médio cobrado das famílias brasileiras subiu no mesmo período, de 62% para 64% ao ano. Em agosto, a Selic caiu mais uma vez, para 14%, no 4º corte seguido do Copom.

O contraste que os números mostram

Os cortes acompanham uma inflação mais fraca. Em agosto, a prévia da inflação teve a maior queda desde 2022, o que abriu espaço para o Banco Central seguir cortando juros.

A taxa média do crédito livre para famílias foi de 62% ao ano em fevereiro e passou para 64% ao ano em junho, segundo o Banco Central. No mesmo período, a Selic caiu de 14,75% para 14,25%.

O cartão de crédito rotativo, a linha mais cara do país, chegou a 435,9% ao ano em fevereiro, alta de 11,4 pontos percentuais só no mês.

Em junho, a inadimplência das famílias chegou a 7,6%, o maior nível da série histórica, e o crédito pessoal sem garantia subiu 7 pontos percentuais no mesmo mês.

Por que o corte não chega ao bolso

A Selic define o custo de captação dos bancos, mas o juro cobrado do cliente é a Selic somada ao spread bancário. O spread reúne inadimplência, custos operacionais, impostos e a margem da instituição.

No rotativo e no cheque especial, o spread é o maior do sistema, porque concentram o risco mais alto de calote. Quando a inadimplência sobe, como subiu em junho, o spread sobe junto e anula o efeito do corte da Selic.

O financiamento imobiliário segue outra lógica. Usa recursos da poupança e do FGTS, corrigidos pela TR, não diretamente pela Selic, e por isso o repasse da queda é sentido ao longo de anos, não de meses.

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O aperto já aparece no consumo das famílias, que recuou no 2º trimestre mesmo com a economia crescendo.

O que muda até o fim do ano

O Copom se reúne em 15 e 16 de setembro, com expectativa de mais um corte de 0,25 ponto. As projeções para o fim do ano ainda divergem: o boletim Focus, do próprio Banco Central, aponta Selic em 13,75%, enquanto a Anbima projeta 12,5%.

O histórico de fevereiro a junho mostra que um novo corte não garante alívio imediato no bolso. O efeito é mais lento no cartão e no cheque especial, e mais lento ainda no financiamento imobiliário.