A produção industrial brasileira recuou 0,8% em setembro ante agosto, segundo dado divulgado pelo IBGE na quinta-feira (5 de novembro). Foi o quarto resultado mensal negativo em cinco meses, e a indústria já acumula perda de 4,1% desde maio deste ano.

Na comparação com setembro de 2025, a produção caiu 2,5%, resultado pior que os de agosto (-1,2%) e julho (-0,5%). No acumulado de 2026, a indústria ainda cresce 0,4%.

Por que o resultado pegou o mercado de surpresa

Economistas ouvidos pela Reuters projetavam queda de apenas 0,2% no mês e de 1,7% na base anual. O resultado veio quatro vezes pior na comparação mensal.

Levantamento do Valor Data com 22 instituições financeiras apontava mediana de -1,8% na base anual, com as projeções mais pessimistas em -2,6%. O resultado real, -2,5%, ficou perto do pior cenário previsto.

O que puxou a indústria para baixo

Das quatro grandes categorias pesquisadas, três caíram, e 17 dos 25 ramos industriais tiveram queda. As maiores influências negativas vieram de coque, petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e produtos alimentícios (-1,7%), que interromperam dois meses seguidos de alta.

Segundo André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE, a menor produção de álcool etílico, derivados do petróleo e açúcar "foram pressionadas pela redução no processamento da cana-de-açúcar, refletindo, em grande parte, os impactos provocados pelo maior volume de chuvas".

É o mesmo fenômeno que já havia atrasado a colheita e derrubado embarques de açúcar em outubro, e que também elevou o preço do etanol em São Paulo no mesmo período.

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Nem tudo foi queda: as indústrias extrativas cresceram 1,7% e romperam uma sequência de quatro meses no negativo, puxadas por mais extração de petróleo, gás natural e minério de ferro. Produtos químicos (+1,7%) e produtos do fumo (+20,3%) também avançaram.

O que acontece agora

A fraqueza já vinha de agosto, quando a produção também frustrou o mercado. Nesta divulgação, o IBGE revisou o recuo daquele mês de 0,6% para 0,7%.

O próximo dado da PIM-PF, com os números de outubro, deve mostrar se as chuvas seguiram pesando sobre o setor sucroalcooleiro ou se a indústria retoma o fôlego.