O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou na quinta-feira (5 de novembro) que identificou acesso não autorizado a nome, CPF, e-mail, data de nascimento e dados de pagamento de garantia de investidores. A suspeita foi detectada em 26 de outubro.

O fundo não informou quantas pessoas foram afetadas nem de quais instituições liquidadas são os registros, mas alertou que os dados podem ser usados para tornar golpes mais convincentes.

Por que esse vazamento é mais perigoso que parece

O alerta chega com um precedente concreto: em janeiro, golpistas já haviam criado um aplicativo falso de "ressarcimento" para atacar investidores do Banco Master, liquidado em novembro de 2025 no maior rombo da história do país.

O app imitava a interface oficial do FGC, mas instalava o trojan bancário BeatBanker, identificado pela empresa de segurança Kaspersky, com capacidade de roubar dados bancários e acessar o celular da vítima remotamente.

Naquele golpe, os criminosos dependiam de informação pública ou supostamente plausível, no mesmo molde dos golpes via Pix que já vinham evoluindo em 2026. Com nome, CPF e e-mail reais vazados agora, o mesmo tipo de abordagem fica mais difícil de identificar como falsa.

O tamanho de quem está exposto

A liquidação do Master, em novembro de 2025, afetou cerca de 12 milhões de clientes e chegou a custar ao FGC entre R$ 41 bilhões e R$ 50 bilhões, perto de um terço de todo o patrimônio do fundo.

Em maio, o FGC já havia pago cerca de R$ 39,7 bilhões, mas ainda restavam R$ 1,83 bilhão a resgatar por investidores do grupo Master em julho. É esse público, mais vulnerável a contato fraudulento, que o fundo tenta alertar.

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Os dois números que ainda faltam

O FGC diz que não encontrou evidência de uso indevido dos dados nem perda financeira até agora. O fundo comunicou a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), como manda a LGPD.

Mas não informou quantas pessoas foram atingidas nem como o acesso ocorreu.

Sem esses dois números, é difícil medir se o episódio fica perto do estrago do golpe do app falso de janeiro ou se é maior. A resposta depende da investigação que o próprio FGC diz que ainda está em curso.