O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), já teve uma conversa amistosa com o presidente reeleito Lula (PT) na semana passada. A informação é do colunista Orion Teixeira, do Estado de Minas. O comentarista afirma que o encontro não foi divulgado para evitar desgaste entre Cleitinho e a ala bolsonarista.

Os dois teriam trocado felicitações pelo resultado nas urnas. O objetivo, segundo a coluna, foi quebrar o gelo entre o futuro governo estadual e o Planalto. A abertura para o diálogo já tinha sido sinalizada por Lula, em campanha. Em comício em Juiz de Fora (MG), em 16 de outubro, o presidente pediu a neutralidade do governador eleito no 2º turno:

Tenho certeza de que o Cleitinho é esperto. Ele não precisa me apoiar, só tem que ficar quietinho, porque só tem a ganhar no final das eleições.


Mais independente que outros governadores eleitos pelo campo bolsonarista, Cleitinho é hoje o único, do Centro-Oeste ao Sul e ao Sudeste, disposto ao diálogo institucional com o governo federal. O senador diz ter aprendido com o antigo governador, Romeu Zema, o que não fazer. Zema nunca procurou Lula para conversar, e nem mesmo fazia questao de manter a diplomacia já que não compareceu a agendas importantes do presidente em Minas, como o anúncio de duplicação da BR-381 e do Novo Acordo de Reparação do Rio Doce.

Interesses em jogo

O pano de fundo do aceno a Lula é fiscal. Segundo balanço divulgado na quinta-feira, Minas Gerais soma R$ 208,1 bilhões em dívida com a União, uma das maiores do país.

Sem equacionar a dívida, o novo governo não teria fôlego para investir em nada além da folha de pagamento do funcionalismo, resumo do temor que Cleitinho tem repetido — o de não querer ser “síndico de folha de pagamento de servidor”.

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Cleitinho já conversou com o ministro Rodrigo Pacheco, do Tribunal de Contas da União (TCU). Como presidente do Senado, Pacheco foi autor da lei que criou o Propag, programa de renegociação da dívida dos estados.

O programa troca a dívida por 30 anos de prazo e juro zero, corrigida só pelo IPCA, com apoio do presidente da Assembleia de Minas, Tadeu Leite (MDB), solução que Cleitinho quer flexibilizar ainda mais.

A pressão da bancada do PL

A bancada do PL é hoje apontada como o principal foco de oposição ao futuro governo de Cleitinho. Depois da virada de Lula no 2º turno em Minas, parte da ala bolsonarista tentou atribuir ao governador eleito a responsabilidade pelo resultado.

Cleitinho cumpriu o compromisso e manteve apoio público a Flávio até o fim da disputa. Zé Victor, presidente do diretório estadual do PL em Minas, disse que a aliança com o novo governo vai depender da adesão às pautas do partido.

O que acontece agora

Cleitinho pretende levar o pedido de adesão ao Propag ao Planalto após a posse, em janeiro. Ele confirmou parte do secretariado que vai cuidar da articulação com a União, passo anterior à negociação da dívida.