O Banco Central do Paraguai decretou intervenção no Ueno Bank na terça-feira (3 de novembro), depois de o índice de solvência da instituição cair abaixo de 50% do mínimo exigido por lei. O banco tinha cerca de 2,6 milhões de clientes.
Isso equivale a um em cada três paraguaios. A queda veio de ajustes nas demonstrações financeiras e de empréstimos irregulares a empresas dos próprios donos, e a intervenção foi aprovada por unanimidade pela diretoria do órgão na segunda-feira (2 de novembro).
Como o rombo afeta os cofres públicos
O Ueno Bank, controlado pelo Grupo Vázquez e patrocinador da CONMEBOL Sudamericana, concentrava 29% dos depósitos do governo paraguaio, cerca de US$ 869 milhões. É uma proximidade com o governo do presidente Santiago Peña que hoje virou problema político.
No total, entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em recursos públicos ficaram congelados, incluindo US$ 380 milhões de um fundo estatal. O Fundo de Garantia cobre até 75 salários mínimos por pessoa, cerca de US$ 38 mil, protegendo 97% dos clientes.
É esse teto que separa quem vai sofrer pouco da crise de quem vai sofrer muito: clientes com mais dinheiro na conta, inclusive empresas, ficam de fora da garantia e dependem do que sobrar depois da intervenção.
O episódio já derrubou o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, cancelou uma viagem oficial de Peña e suspendeu a pré-candidatura presidencial do vice-presidente, Pedro Alliana.
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Por que lembra o caso Banco Master
Investidores brasileiros que vivem no Paraguai apelidaram o caso de "Banco Master do Paraguai" nas redes sociais, pela cena repetida: aplicativo fora do ar e fila de clientes tentando sacar dinheiro.
A comparação tem lastro. O Banco Central do Brasil liquidou o Banco Master em 18 de novembro de 2025, numa intervenção que, segundo o próprio BC, não afetou o resto do sistema financeiro.
O dono do Master, Daniel Vorcaro, segue preso enquanto o STF analisa pedido de soltura por excesso de prazo.
Nos dois casos, o problema começou dentro do próprio balanço do banco: no Master, títulos de crédito revendidos de forma fraudulenta ao BRB; no Ueno, empréstimos irregulares para empresas ligadas aos donos.
O ponto em aberto
O que ainda não se sabe é quanto dos US$ 850 milhões em dinheiro público será recuperado, e se a proximidade entre o Ueno e o governo Peña vai resultar em apuração formal, como ocorreu no Brasil com a prisão do dono do Master.































