O desmatamento na Amazônia já colocou em risco US$ 22 bilhões em potencial comercial de remédios que poderiam ser descobertos a partir de plantas da região, segundo análise da organização Zero Carbon Analytics. O valor equivale a 10,2% do potencial farmacêutico da Bacia Amazônica.
O levantamento, publicado em 2026, cruzou dados de diversidade de espécies vegetais com imagens de satélite sobre perda florestal entre 2001 e 2024, além de modelos econômicos usados para avaliar medicamentos. A análise considera só plantas com flores.
Os números são projeções, não prejuízos já concretizados. Eles estimam o valor de oportunidades de descoberta científica que podem desaparecer com a destruição da biodiversidade, não dinheiro perdido de fato.
No total, as florestas tropicais do planeta podem abrigar uma mediana de US$ 714 bilhões em medicamentos ainda desconhecidos, e até US$ 1,2 trilhão no cenário mais otimista, segundo a Zero Carbon Analytics.
A Amazônia concentra a maior fatia entre as regiões do ranking acima, o que a torna ao mesmo tempo o maior ativo farmacêutico natural do planeta e a floresta mais exposta a perdas.
Desde 2001, a destruição de florestas tropicais no mundo já colocou em risco cerca de US$ 86 bilhões em oportunidades comerciais de descoberta de remédios.
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A perda de uma área não significa o fim de todas as substâncias nela: alguns compostos seguem disponíveis em plantas de outras regiões.
No Brasil, a Lei de Propriedade Industrial veda o patenteamento de seres vivos, mas empresas e universidades já depositam patentes sobre extratos e composições farmacêuticas obtidos da biodiversidade nacional.
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) participa do projeto PROFitos BioAM, voltado à cadeia de fitoterápicos amazônicos, e a Fiocruz desenvolve remédios com ativos da biodiversidade pelo Centro Tecnológico de Medicamentos de Farmanguinhos.
Cada hectare desmatado pode levar com ele compostos que a ciência ainda não catalogou, antes mesmo de medir seu valor. O Brasil já tem iniciativas na direção oposta: em julho, o país lançou um centro de produção de insumos farmacêuticos com foco na biodiversidade.
O cenário de desmatamento também mudou: em agosto, os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 36,87% e bateram a menor marca da série histórica. Ainda assim, desemprego e baixa renda aceleram o desmatamento na região, segundo outra pesquisa.































