Os contratos futuros de boi gordo na B3 bateram novo recorde nesta semana, com o de dezembro chegando a R$ 401,10 por arroba. A alta de 16,5% desde março é puxada pelo dólar, pela oferta restrita e pela expectativa de compras da China.

O contrato de novembro fechou em R$ 400,95 (alta de 1,01%), e o de dezembro, em R$ 401,10 (1,11%). Já o contrato de janeiro de 2027 estava em R$ 399,75, segundo a Notícias Agrícolas.

Desde a mínima de março, de R$ 343,40, os contratos acumularam ganho de R$ 56,75 por arroba, uma alta de cerca de 16,5%.

O mercado também reage à valorização do dólar, que subiu 9,15% na semana anterior, segundo análise da Reuters. Câmbio mais alto torna a exportação brasileira mais competitiva, pressionando o preço interno do boi para cima.

Por que o preço sobe agora?

O preço sobe porque a oferta de bovinos terminados está restrita até o fim do ano, em meio a escalas de abate curtas, retenção de animais pelos pecuaristas e custos mais altos de reposição, segundo a CNN Brasil.

A isso se soma a expectativa de que a China retome a importação entre novembro e dezembro. A China deve agir para preencher a cota com tarifas menores em 2027, o que motiva frigoríficos a disputar o boi disponível agora.

O excedente da cota de 2026 já paga sobretaxa de 55% somada à tarifa de 12% dentro da cota, elevando a tributação total para 67% na entrada do produto brasileiro na China.

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A TV Sim Brasil já mostrou que a tarifa da carne bovina brasileira subiu a 67% ao entrar na China após o esgotamento da cota anual, o que vinha desacelerando as exportações do produto.

Em setembro, outra reportagem mostrou que a arroba do boi já subia rumo a R$ 380 mesmo com a exportação travada, cenário que se repete agora, só que com a arroba quase R$ 20 mais cara.

Em outubro, outro texto já antecipava que a pressa para exportar à China poderia disparar a arroba do boi. Para o pecuarista, o recorde de hoje é reflexo direto do ciclo pecuário mais apertado combinado a um dólar que não para de subir.

O que acontece agora

O mercado deve seguir pressionado enquanto durar a oferta restrita de animais, o que tende a se estender até o fim do ano. Frigoríficos acompanham sinais de retomada formal das compras chinesas, que devem sustentar os preços também em janeiro.

O próximo termômetro é a safra de verão, quando a oferta de bois prontos para abate tende a aumentar e pode aliviar a pressão sobre o preço da arroba.