A possível fuga do senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil para os Estados Unidos abre uma fissura na extrema direita, avalia o historiador Odilon Caldeira Neto, que estuda o tema há mais de uma década.
Caldeira Neto coordena o Observatório da Extrema Direita (OEDBrasil) e é professor de História Contemporânea na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Segundo ele, o bolsonarismo enfrenta agora o desafio de disputar as ruas com o que chama de campo democrático.
O prazo para Flávio entregar o passaporte venceu nesta terça (27), às 11h.
No 2º turno, Flávio recebeu 48,21% dos votos válidos, contra 51,79% de Lula. A fuga ocorre dois dias depois da derrota. Ela reacende a disputa por quem herda a liderança da direita.
Quem pode herdar a liderança da direita
A liderança do campo bolsonarista pode passar para outros nomes da família ou aliados. Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal com 29,1% dos votos válidos, é apontada como quem tem mais votos próprios dentro da família.
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo reeleito no primeiro turno com 63% dos votos, é tratado pelo partido Republicanos como o candidato natural à Presidência em 2030.
Nikolas Ferreira, reeleito com a maior votação do país, é outro nome influente. Ele não poderá disputar a Presidência em 2030 por ainda não ter 35 anos.
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Carlos Bolsonaro, senador por Santa Catarina, é visto como alguém sem trânsito com os partidos. Jair Renan, deputado federal também por Santa Catarina, é considerado jovem demais para o papel.
Como reagem os aliados de Flávio
Entre os aliados, a reação é de cautela. O PL já se reuniu em caráter de emergência para discutir os rumos da legenda após a fuga, e a reunião reacendeu as especulações sobre sucessão.
Para Caldeira Neto, o desafio imediato do bolsonarismo é disputar as ruas e as redes sociais com o campo democrático, que ele descreve como mais organizado hoje do que em eleições anteriores.































