O tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil tirou R$ 66,8 bilhões da economia de 1.135 municípios em um ano, aponta estudo da Confederação Nacional de Municípios. As exportações ao mercado americano caíram US$ 6,7 bilhões entre agosto de 2025 e julho de 2026.

Segundo o levantamento, a receita nacional com vendas aos Estados Unidos passou de US$ 41,5 bilhões para US$ 34,8 bilhões, queda de 16,2%. O volume embarcado recuou de 40,9 milhões para 33,6 milhões de toneladas, retração de 17,9%.

Em 271 municípios, as exportações para os americanos zeraram por completo. Juntas, essas cidades somavam R$ 588 milhões em vendas no período anterior ao tarifaço.

Outros 864 municípios não deixaram de exportar, mas tiveram queda no valor embarcado. Boa parte dos municípios afetados, principalmente os pequenos, não teve escala para substituir o comprador americano por outro mercado.

Dezesseis municípios concentraram mais da metade do prejuízo nacional, com US$ 3,4 bilhões em vendas perdidas. Minas Gerais foi o estado mais atingido, com queda de US$ 1,75 bilhão (33,2%), à frente de São Paulo (US$ 1,65 bilhão, 11,7%).

Rio de Janeiro (US$ 1,37 bilhão, 18,7%) e Paraná (US$ 598,8 milhões, 38,3%) completam a lista. O estado mineiro já sentia o efeito da tarifa em julho, quando o impacto nos produtos locais foi medido pela primeira vez.

Os produtos mais afetados foram café (queda de 43% em volume), suco de laranja (33,7% a menos em preço), madeira de coníferas (66%), açúcar (75% em valor) e sebo (34%), além de aço, ferro gusa, fumo e petróleo, segundo o estudo da CNM.

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Um levantamento anterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e da Amcham Brasil, já mostrava estrago parecido. Metade dos municípios exportadores perdeu em média 30% das vendas aos EUA no primeiro semestre.

A tarifa dupla de 37,5% que incide sobre parte da pauta brasileira explica boa parte dessa perda, segundo o levantamento.

Como o tarifaço chegou ao Centro-Oeste

Em Mato Grosso do Sul, as vendas aos Estados Unidos caíram US$ 82,4 milhões (R$ 774,3 milhões) entre agosto de 2025 e julho de 2026, queda de 11,7% ante o período anterior. Celulose e produtos florestais foram os mais afetados.

Ao todo, 67% dos municípios do estado perderam receita com os americanos.

"Do lado do mercado, o primeiro semestre foi de preços da celulose pressionados, real valorizado e custos em alta, sobretudo de fertilizantes e combustíveis, o que apertou as margens em toda a cadeia", disse Júnior Ramires, presidente da Reflore-MS, associação de produtores florestais do estado.

Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a saída passa por diversificar mercados. "Para proteger a arrecadação e garantir a manutenção dos empregos locais, é necessário reduzir a dependência de um único comprador", afirmou.

O governo federal já reagiu à escala do problema. Um pacote de R$ 6,49 bilhões em crédito para exportadores afetados foi ampliado nesta semana.

Mas o estudo da CNM mostra que a maior parte dos municípios atingidos ainda não encontrou mercado alternativo para a produção que ia aos Estados Unidos.