O Brasil deve voltar a ser a 8ª maior economia do mundo em 2027, com Produto Interno Bruto (PIB) projetado em US$ 2,8 trilhões, à frente de Itália e Rússia. A projeção está no relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado em 16 de outubro.

Em 2026, o país ocupa a 10ª posição, com PIB estimado em US$ 2,655 trilhões. O topo do ranking segue com Estados Unidos (US$ 34,44 trilhões) e China (US$ 22,94 trilhões), seguidos pela Alemanha (US$ 5,66 trilhões).

Outro destaque do relatório é a Índia, que deve subir da 6ª para a 4ª posição, ultrapassando Reino Unido e Japão.

O que explica a queda e a recuperação do Brasil?

A recuperação do Brasil no ranking vem acompanhada de uma revisão para baixo no ritmo de crescimento. O FMI projeta expansão de 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, abaixo dos 2,4% e 2,2% estimados em julho.

O fundo atribui a desaceleração às condições monetárias restritivas, à retirada de estímulos fiscais e à incerteza global. A mesma atualização já havia sido antecipada. O FMI elevou a previsão de crescimento mundial, mas reduziu a do Brasil e da China.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já reagiu com ceticismo a outras projeções do FMI sobre as contas públicas brasileiras neste mês.

Publicidade

Ao comentar um documento do fundo sobre a trajetória da dívida pública, Haddad disse que "não acredita" nesse cenário. Para ele, o fortalecimento do arcabouço fiscal "é o remédio mais adequado para o momento que vivemos".

Para entender as críticas do fundo à política fiscal do governo, o FMI cobrou ajuste fiscal urgente na mesma semana.

Como foi a trajetória do Brasil no ranking mundial?

O Brasil já havia ocupado a 8ª posição antes. A última vez foi em 2017. A melhor colocação histórica do país foi o 7º lugar, alcançado em 1995 e mantido entre 2010 e 2014.

A disputa pelas posições do topo é apertada. Com US$ 2,8 trilhões projetados para 2027, o Brasil ficaria à frente de Itália (US$ 2,77 trilhões) e Rússia (US$ 2,68 trilhões).

O avanço no ranking acontece ao mesmo tempo em que o próprio FMI reduziu a expectativa de crescimento do Brasil para os próximos dois anos.

Segundo o FMI, o Brasil deve se manter na 8ª posição até 2031, último ano com projeção disponível no relatório.

Outro organismo internacional havia sinalizado desaceleração parecida. Em outubro, a ONU projetou que o PIB do Brasil cresceria 1,8% em 2026, abaixo da estimativa do próprio governo.

O que acontece agora

O FMI atualiza o World Economic Outlook duas vezes por ano, em abril e outubro, junto do relatório semestral. A próxima revisão sai em abril de 2027, com dados mais recentes da economia brasileira.