O governo brasileiro tenta um encontro com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, nesta quarta (30) e quinta-feira (1º), durante o G20 de Comércio, em Milwaukee, para tratar do tarifaço de 37,5% sobre produtos brasileiros. A presença de Greer não está confirmada.

A delegação brasileira tem o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MIDC), Márcio Elias Rosa, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Greer, que comanda o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), é o anfitrião do encontro, que reúne os ministros de comércio do G20 para discutir regras comerciais, trabalho forçado, segurança alimentar e excesso de capacidade produtiva.

Também está na agenda oficial do G20 a revisão do princípio da nação mais favorecida, hoje uma regra da Organização Mundial do Comércio (OMC) que obriga estender a qualquer membro a mesma vantagem concedida a um país.

Os Estados Unidos defendem mais espaço para reciprocidade em cada negociação bilateral.

Para o Brasil, essa mudança reduziria a previsibilidade das regras comerciais e deixaria o país mais exposto a condições piores nas tratativas com Washington.

Por isso a meta do Planalto em Milwaukee é mais modesta: avançar na lista de exceções ao tarifaço antes de discutir a reversão total da sobretaxa combinada.

As tratativas foram retomadas em 31 de agosto, quando Elias Rosa e Greer conversaram por videoconferência, um encontro que o Brasil classificou como discriminatório e avaliou como exploratório.

Dez dias antes, Lula e Trump haviam conversado por telefone durante cerca de 1h20, ligação que o Palácio do Planalto chamou de cordial.

Foi a primeira reunião presencial marcada entre os dois lados desde que o tarifaço entrou em vigor. O encontro de Milwaukee seria o capítulo seguinte dessa negociação, iniciada em julho com a tarifa de 25% e ampliada depois por uma sobretaxa adicional.

Quanto pesa o tarifaço nas exportações brasileiras?

O tarifaço combinado de 37,5% atinge 3.900 produtos brasileiros e já responde por 25,5% de tudo que o Brasil exporta aos Estados Unidos, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Outros 4.060 produtos pagam só a tarifa adicional de 12,5%.

Mais da metade das vendas brasileiras aos Estados Unidos ainda escapa da sobretaxa, graças à lista de exceções, que inclui carne bovina, cujas vendas aos EUA saltaram apesar do tarifaço, além de café, laranja, petróleo e aeronaves civis.

"É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado", disse o presidente da CNI, Ricardo Alban, que cobrou ação rápida dos governos para reduzir os impactos sobre a indústria brasileira.

O que acontece agora

O G20 de Comércio termina na quinta-feira (1º), e o Brasil ainda não sabe se terá uma conversa direta e reservada com Jamieson Greer em Milwaukee. Paralelamente, o país levou o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo o Itamaraty, a OMC abriu um prazo de 60 dias de consulta entre as partes a partir de 25 de setembro. Se as tratativas bilaterais não avançarem, esse prazo marca o próximo passo formal da disputa.

O que ainda depende de Milwaukee

O encontro pode marcar a diferença entre ampliar a lista de produtos isentos e mais uma rodada exploratória sem mudança na tarifa. Desde a retomada do diálogo em agosto, houve videoconferência entre os ministros, ligação entre os presidentes e consulta aberta na OMC.

Ainda assim, a sobretaxa de 37,5% segue em vigor. A pergunta que fica é se o G20 de Comércio produz o primeiro resultado concreto dessa negociação ou se soma mais um capítulo sem redução da tarifa.