Os economistas americanos Robert Hall, 83 anos, e Michael Woodford, 67, venceram nesta segunda-feira (12) o Nobel de Economia 2026, da Real Academia de Ciências da Suécia, por pesquisas sobre as bases microeconômicas da estabilização macroeconômica, tema que orienta bancos centrais pelo mundo.
O que o prêmio reconhece
A dupla foi premiada por mostrar como decisões de famílias e empresas, tomadas individualmente, afetam toda a economia. Em vez de modelos baseados só em estatísticas agregadas, como inflação e consumo, eles construíram uma base microeconômica para esses cálculos.
No Brasil, o Banco Central já usa esse tipo de arcabouço no modelo SAMBA, um dos instrumentos que o Copom usa para decidir a Selic todo mês. O modelo tem quatro blocos: demanda, oferta, setor externo e a regra que liga juros à inflação.
O Nobel de Economia não fez parte do testamento original de Alfred Nobel. Foi criado em 1968 pelo banco central da Suécia e é entregue desde 1969, seguindo os critérios dos prêmios de Física, Química, Medicina, Literatura e Paz, que existem desde 1901.
O prêmio vale 12 milhões de coroas suecas, cerca de US$ 1,2 milhão, e foi o último anunciado nesta temporada de Nobel 2026.
Nos últimos anos, o prêmio também reconheceu o crescimento econômico puxado pela inovação (2025), as diferenças de prosperidade entre nações (2024) e o papel das mulheres no mercado de trabalho (2023).
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Por que isso chega ao bolso do brasileiro
Quando o Banco Central entende melhor como famílias reagem a mudanças de preços e juros, consegue calibrar a Selic com mais precisão. Segundo o comitê do Nobel, o trabalho de Hall e Woodford deixou bancos centrais mais preparados para reagir a crises econômicas repentinas.
O Brasil nunca ganhou um Nobel, apesar de já ter somado 28 indicações ao prêmio em todas as categorias. A premiação desta semana também passou pelo Nobel de Química, concedido a uma descoberta que facilita remédios.
O ponto em aberto
O reconhecimento vem décadas depois de as ideias de Hall e Woodford virarem padrão em bancos centrais ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Fica a pergunta de quanto tempo a próxima geração de modelos econômicos vai levar até chegar ao comitê do Nobel.





























