O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), a "prévia do PIB", subiu 0,3% em agosto ante julho, primeira alta em três meses, após duas quedas seguidas. No acumulado de 12 meses, o avanço é de 1,6%, ritmo que o mercado financeiro considera fraco.
O indicador, divulgado nesta sexta-feira (16) pelo Banco Central, mostra avanço puxado pela indústria, que cresceu 0,9% no mês. Os serviços subiram 0,2%, enquanto a agropecuária recuou 1,8%.
No resultado trimestral (junho a agosto), porém, o índice caiu 0,6%. É o dado que mais preocupa analistas, por refletir uma tendência mais ampla que a variação de um único mês.
Por que o resultado divide os economistas
A alta de agosto não convenceu todo mundo. Para Leonardo Costa, da gestora ASA, o crescimento de apenas 1,6% em 12 meses e a queda de 0,6% no trimestre são mais compatíveis com um PIB negativo no trimestre que com recuperação.
O crescimento de apenas +1,6% em 12 meses e a queda de -0,6% na métrica trimestral permanecem mais compatíveis com um cenário de PIB negativo no trimestre.
Costa projeta retração de 0,2% no PIB do terceiro trimestre de 2026, mesmo com a melhora pontual de agosto.
Nem todo analista vê risco. Alexandre Maluf, da XP Investimentos, mantém a projeção de crescimento de 1,7% para o PIB de 2026. Ele cita a renda real em expansão, sustentada por um mercado de trabalho apertado e por medidas de estímulo do governo.
Publicidade
O Daycoval projeta 1,8% de crescimento, também com viés de baixa.
A EQI vai no sentido oposto. Aponta que a desaceleração deve continuar e aumenta o risco de recessão em 2027.
Os juros altos também pesam nas contas. Mesmo após sucessivos cortes, a Selic está em 14% ao ano, nível que segue freando crédito e consumo.
O que a série do ano mostra
O IBC-Br oscilou mês a mês em 2026, sem tendência firme. Depois de subir 0,5% em abril e 0,1% em maio, caiu 0,6% em junho e 0,2% em julho, antes de voltar a subir 0,3% em agosto.
Em junho, o recuo do indicador já havia freado o PIB do segundo trimestre para 0,2%. A oscilação mostra que não há uma tendência única, só sinais contraditórios mês a mês.
O IBC-Br é apenas uma prévia. O dado oficial, apurado pelo IBGE, mostrou o PIB crescendo 0,5% no segundo trimestre, mesmo com o recuo do consumo das famílias.
O que acontece agora
O próximo marco é o resultado oficial do terceiro trimestre, que o IBGE ainda vai divulgar, para confirmar ou desmentir o alerta dos analistas mais pessimistas. Até lá, as projeções seguem divergentes.
O governo projeta crescimento de 2% para 2026. O FMI projeta 2,2%. A maioria das instituições financeiras do mercado aponta para algo perto de 1,8%, citando juros altos e inflação como obstáculos.





























