A primavera começa nesta terça-feira (22) com El Niño forte, chuva acima da média em parte do Sudeste e risco de calor em quase todo o país, segundo Inmet, NOAA e meteorologistas ouvidos por g1 e Folha. A estação vai até 21 de dezembro.
O ponto central é que a primavera de 2026 não traz um risco único. Ela combina temporais mais frequentes no Sul e em parte do Sudeste com seca mais intensa no Norte e no Nordeste, o que muda a preparação de cidades, produtores e moradores.
O mesmo El Niño que aumenta a chuva em uma faixa do Brasil pode reduzir a precipitação em outra. Essa divisão explica por que alertas de enchente, calor e estiagem podem aparecer ao mesmo tempo no noticiário dos próximos meses.
Por que a primavera preocupa?
A primavera preocupa porque o El Niño tem mais de 90% de chance de atingir categoria muito forte e 75% de chance de ser o mais intenso desde 1950, segundo projeções do CPC/NOAA citadas pela Agência Brasil.
“O El Niño tem potencial para influenciar as condições climáticas no Brasil durante a primavera, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste”, afirmou Mozar de Araújo Salvador, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Segundo a Agência Brasil, o fenômeno deve acentuar a seca no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
No Sudeste e no Sul, a projeção do Inmet é de aumento do excesso de chuva, com São Paulo e Mato Grosso do Sul entre os estados que podem se destacar.
A TV Sim já mostrou que o El Niño de 2026 tende a dividir o Brasil entre áreas mais úmidas e áreas mais secas. A novidade agora é que a estação começou e o calendário climático deixa de ser projeção distante.
Onde a chuva deve pesar mais?
A chuva deve pesar mais no Sul, em parte do Sudeste e em pontos do Centro-Oeste.
Segundo a Folha, temporais frequentes são esperados no centro-sul de Mato Grosso do Sul e de São Paulo, além do sul do Rio, sul de Minas, Triângulo Mineiro e sul de Goiás.
No interior paulista, o recorte local dá a dimensão do risco. Para Presidente Prudente, o g1 informou previsão de chuva 20% a 30% acima da média histórica, com volume estimado entre 558 e 605 milímetros na estação.
Esse volume se aproxima da primavera mais chuvosa já registrada na região, em 2015, quando foram 630 milímetros, segundo o climatologista Vagner Camarini. A primavera mais seca, em 2019, teve 260 milímetros, menos da metade do cenário projetado agora.
O alerta também conversa com impactos econômicos. A TV Sim mostrou nesta terça que calor e chuva irregular pressionam a florada do café em Minas, sinal de que o clima da estação já entrou na conta do agro.
E onde o calor entra na conta?
O calor entra na conta porque as temperaturas devem ficar acima da média em praticamente todo o Brasil, variando de intensidade por região, segundo o Inmet. No Sudeste e no Centro-Oeste, ondas de calor podem ganhar força a partir de outubro.
A Folha lembra que, pelo critério do Inmet, onda de calor ocorre quando a máxima diária supera a média mensal em 5°C ou mais por cinco dias consecutivos. Esse detalhe importa porque calor isolado não é automaticamente onda de calor.
Na Paraíba, a TV Sim registrou nesta semana que o Inmet colocou quase 90 cidades sob alerta de ar seco. É o outro lado da mesma primavera: enquanto uma faixa lida com temporais, outra precisa administrar baixa umidade.
O ponto em aberto está na escala dos extremos. Os números já indicam uma primavera fora do padrão, mas o impacto real dependerá de onde as frentes frias vão estacionar, de quanto a umidade amazônica avançará e de como cidades responderão aos alertas.





























