Um robô humanoide sobre rodas desenvolvido na China foi apresentado ao setor industrial brasileiro no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), na região de Campinas (SP). A demonstração teve apoio da empresa brasileira AutorIA, que trouxe o equipamento ao país.

O modelo, batizado Cruzr S2 e fabricado pela UBTECH Robotics, de Shenzhen, foi projetado para tarefas como separação de materiais, montagem de peças e movimentação de cargas em armazéns. Segundo o fabricante, ele gira em corredores de 0,8 metro e levanta até 15 kg.

Por que a China domina os robôs humanoides?

A China respondeu por 97% das remessas globais de robôs humanoides no 1º semestre de 2026, mais de 40 mil unidades, segundo relatório apresentado na Conferência Mundial de Robótica. A fabricante do Cruzr S2 teve receita de US$ 190 milhões no período, alta de 104%.

A China também reativou recentemente uma fábrica de robôs humanoides banida pelos Estados Unidos, e um modelo chinês já correu mais rápido que o velocista Usain Bolt em testes, embora a indústria ainda esteja longe do uso real desses robôs em massa.

O que muda para o Brasil?

O Brasil instalou quase 4,3 mil novos robôs industriais em 2025, alta de 38% sobre 2024, segundo o relatório World Robotics 2026. O setor automotivo sozinho recebeu cerca de 2,1 mil desses robôs, um salto de 212% no ano.

O próprio relatório liga parte do salto aos investimentos de montadoras chinesas que chegam ao Brasil, que teriam impulsionado a demanda por robôs no setor. Sete marcas chinesas de carro devem chegar ao país até 2028.

Para o pesquisador Flávio Tonidandel, da Socialdroids Robotics, o Brasil tem a chance de adaptar algoritmos "às necessidades locais", já que "robôs humanoides serão usados no mundo todo".