A pior crise nas relações entre Estados Unidos e Ucrânia desde o racha no Salão Oval, no ano passado, gira em torno do Starlink, o serviço de internet via satélite de Elon Musk usado pelas forças ucranianas. Ninguém assume ter cortado o sistema.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky avisou que vai retomar os ataques a refinarias de petróleo russas. Donald Trump insiste que essas investidas agravam os preços do diesel e da gasolina às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA.
O que é o Starlink militar que a Ucrânia usa?
O Starlink é o serviço comercial de internet via satélite da SpaceX, com mais de 11 mil satélites em órbita baixa e cerca de 13 milhões de assinantes no mundo. O uso militar passa por uma versão separada, o Starshield.
Os sistemas Starshield são propriedade e estão sob controle do governo dos Estados Unidos.
A declaração é de Elon Musk, em post na rede social X na quarta-feira (14). Segundo ele, o Starlink comum "está limitado a atividades civis ou defensivas" e não pode ser usado em ações militares ofensivas.
Trump, por sua vez, atacou o líder ucraniano em entrevista à Newsmax na quinta-feira (15). "Não sou um grande fã de Zelensky. Eles destruíram aquele país", disse. "Acho Zelensky mais difícil de lidar do que Putin."
O que muda para o Brasil?
O Brasil também depende do Starlink: a empresa soma cerca de 1 milhão de assinantes no país, incluindo mais de mil comunidades conectadas na Amazônia. A Anatel autorizou, em 2025, mais 7.500 satélites da rede no país até 2027.
Mais recentemente, a Anatel liberou espectro adicional para a Starlink, decisão que derrubou as ações da TIM e da Vivo na bolsa brasileira no mesmo dia.
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Não é a primeira vez que Zelensky enfrenta pressão de Trump perto de uma eleição americana. Em setembro, Trump já havia pressionado Zelensky por causa do diesel e das refinarias russas.
Em 2019, o presidente usou a promessa de ajuda militar para tentar convencer o ucraniano a abrir uma investigação contra Joe Biden e o filho dele, Hunter.
O ponto em aberto
Um serviço privado de internet via satélite, hoje usado por governos e exércitos, pode ser restringido por decisão de uma única empresa. Para países cada vez mais dependentes da mesma rede, como o Brasil, fica a pergunta: até onde vai esse poder?





























