A Organização Mundial do Comércio (OMC) elevou a previsão de crescimento do comércio mundial de mercadorias para 3,9% em 2026, dobro dos 1,9% estimados em março, mesmo com o impacto das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, informou a entidade.

A diretora-geral Ngozi Okonjo-Iweala disse à Reuters nesta quinta-feira (15) que essas mudanças geopolíticas terão efeito duradouro nos fluxos comerciais, à medida que empresas se protegem contra novos choques. Ela afirmou esperar que os esforços de diversificação continuem, dados os repetidos choques causados por guerras.

"Estamos percebendo que gargalos e ativos estratégicos vulneráveis são questões sobre as quais precisamos pensar para o mundo", afirmou Okonjo-Iweala, em entrevista à margem das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial.

Não há dúvidas de que as cadeias de suprimento vêm se reconfigurando.

No Oriente Médio, o comércio contraiu-se de forma acentuada por causa da guerra do Irã. A OMC projeta queda de 17% nas exportações da região neste ano, com as importações recuando cerca de 15%.

Especialistas do setor privado esperam recuperação assim que a guerra terminar e o Estreito de Ormuz for reaberto, rota mais barata para o comércio. Mas os conflitos repetidos reforçaram a necessidade de diversificação, e parte das rotas alternativas deve perdurar, segundo a diretora-geral.

Okonjo-Iweala citou a onda de tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um dos fatores que aceleram essa reconfiguração das cadeias de suprimento. Segundo ela, líderes empresariais têm demonstrado criatividade ao encontrar novas rotas comerciais, ainda que mais caras.

O próprio Brasil levou o tarifaço americano à própria OMC, caso que já afeta as exportações brasileiras aos Estados Unidos.

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A sobretaxa reduziu em 17,8% a exportação do agro brasileiro aos EUA em setembro.

A OMC prevê alta de 3,9% no comércio de mercadorias em 2026. Era 1,9% na previsão de março. A revisão veio puxada pela demanda por semicondutores e servidores de inteligência artificial.

Esses produtos responderam por 47% do crescimento do comércio global de bens no primeiro semestre do ano, segundo o relatório da OMC.

Por região, a Ásia lidera o crescimento esperado, com exportações subindo 9,9% em 2026. A América do Sul, bloco que inclui o Brasil, deve crescer 3,4% nas exportações, bem abaixo da média asiática.

O comércio regional também deve continuar a se expandir, disse Okonjo-Iweala, citando como exemplo os países africanos, que podem ampliar o crescimento negociando mais dentro do próprio continente.